e-revista Brasil Energia 487

54 Brasil Energia, nº 487, 25 de junho de 2024 inovação tral, ao IBGE, à Secex, e agora temos a convicção de que não temos esse dado no país. Telmo: Esse dado pode ser levantado pelo Banco Central, pela Secex, pelo IBGE, várias entidades poderiam medir, mas essa solicitação tem que ser feita e talvez deva vir do MDIC. Mas até mesmo na NIB [Nova Indústria Brasileira, programa do MDIC], que a Abespetro defende muito, a cadeia produtiva de petróleo ainda não está muito enfocada. Acho que nas futuras evoluções da NIB essa pergunta deve aparecer: de que forma a cadeia produtiva de commodities, como soja, ferro, petróleo, está contribuindo para a economia do país? A ANP poderia monitorar a inovação Breno: Para monitorar a inovação, a ANP poderia exigir que, ao fim do projeto, as empresas produzissem um relatório, mostrando o que gerou uma patente, por exemplo. Telmo: Poderia dividir em três categorias. Primeiro vamos ver quantos papers esse dinheiro produziu. Depois quanto produziu de patente e, por último, quanto produziu algo que foi exportado. Se foi exportado, é porque tem um grau de inovação, de complexidade, teve aceitação no mundo. Uma outra maneira de fazer isso, talvez de forma um pouco indireta, é através da exigência de conteúdo local. Se a regra é 25%, mas a empresa faz mais do que isso, dá para supor que as empresas brasileiras estão inovando mais, são capazes de competir. São maneiras de medir, mas esse estudo nunca foi feito. A ANP poderia fazer essa análise com esse enfoque. Participação das startups no investimento Breno: Os fornecedores de grande porte no país estão criando cada vez mais programas de inovação aberta, para poder engajar startups nos sistemas de inovação. Telmo: Vários fornecedores fazem isso no mundo inteiro. Poderiam fazer mais ainda no Brasil se tivessem maior acesso a essa cláusula e fosse permitido subcontratar. E como é muito mais fácil o dinheiro ser acessado pela universidade, é ela que acaba gerenciando o recurso, mas ela, como escola federal, tem restrições legais que dificultam a gestão de projetos com organizações privadas. Se as empresas tivessem acesso a esse dinheiro, quem sabe poderiam atrair mais startups e fazer funcionar mais inovação aberta? Mas hoje ainda é difícil por causa dessa configuração, que tem raiz no raciocínio linear de que basta colocar dinheiro na universidade que vai aparecer uma startup lá na frente. E não é verdade. Já uma empresa grande, junto com uma startup, pode desenvolver e contratar a universidade para resolver em conjunto. E aí aquela startup vai avançar e vai ser uma grande exportadora, não de commodity, mas de bens e serviços complexos. n

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