e-revista Brasil Energia 487

Brasil Energia, nº 487, 25 de junho de 2024 55 Marcelo Souza de Castro, engenheiro mecatrônico e doutor em Engenharia Mecânica, é professor e diretor do Cepetro, da Unicamp. Escreve na Brasil Energia bimestralmente. Marcelo Souza de Castro Talentos em Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática: futuro incerto e nada promissor Considerando o cenário atual em que mais de 80% do consumo de energia mundial ainda vem de fontes fósseis como óleo, gás e carvão, ainda temos uma longa jornada até uma transição energética efetiva. Há uma corrida mundial por tecnologias e soluções que possam tanto substituir, ou reduzir, a dependência das fontes da matriz energética atual, quanto reduzir a pegada de carbono das fontes fósseis. Assim, o mundo busca, através de pesquisa, desenvolvimento e inovação formas de eletrificar a produção e exploração de petróleo, otimizar processos e minimizar riscos e custos; desenvolver tecnologias para Captura, Uso e Armazenamento de Carbono; formas de viabilizar novos combustíveis como o hidrogênio verde; novas tecnologias para uma maior produtividade, eficiência e até mesmo novas rotas para a produção de biocombustíveis; painéis solares e baterias mais eficientes e de produção menos poluentes; novas tecnologias de baterias e uso de baterias de segunda vida; turbinas eólicas onshore e offshore e outros diversos processos que podem auxiliar na “defossilização” da matriz energética. O Brasil tem excelentes exemplos de como o investimento em pesquisa pode alavancar a economia e fazer a diferença para o país. Vejamos os investimentos para desenvolvimento de biocombustíveis, aeronáutica e de tecnologias para produção de petróleo em águas profundas e ultra profundas, áreas em que somos líderes mundiais e exemplos a serem copiados. Em outros cenários já despontamos como grandes atores como geração de energia eólica, hidrogênio verde e até mesmo novas baterias e células combustível. Entretanto, tudo isso passa por uma questão fundamental, a necessidade de pessoal especializado, bem formado e focado em pesquisa, desenvolvimento e implementação de novas tecnologias. Mas o que se observa não só no Brasil, mas em várias partes do mundo é uma redução cada vez maior do número de entrantes em cursos de nível superior nas carreiras ditas STEM, acrônimo em inglês das palavras Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Um exemplo crítico são os cursos de Engenharia no Brasil, há vários casos de cursos com baixa procura, tendo mais vagas que candidatos, e isso até mesmo em universidades consideradas muito boas. Além disso, temos uma fuga de cérebros para o exterior, visto que outros países passam pelo mesmo processo e buscam aqui a mão de obra qualificada que não conseguem formar nacionalmente. Dois casos interessantes são a Noruega, onde cursos de graduação e pós-graduação estão fechando por todo o país, e os EUA, onde pesquisas indicam que muitas pessoas já não veem necessidade de um curso superior, visto o tempo gasto a mais para entrada no mercado de trabalho em comparação com um aumento marginal nos salários. No caso do Brasil, logicamente, há questões relacionadas ao mercado de trabalho, mas es-

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