e-revista Brasil Energia 487

56 Brasil Energia, nº 487, 25 de junho de 2024 Continuação Marcelo Souza de Castro te continua bem aquecido para engenheiros com boa formação, a se considerar a busca das empresas por pessoal qualificado diretamente dentro de grupos de pesquisa, e com salários altos. A redução de entrantes nos cursos de graduação já leva a uma sensível redução nos candidatos aos cursos de pós-graduação e, consequentemente, a uma redução do nível de pesquisa nacional. Observando a situação brasileira, pode-se sempre argumentar com a falta de oportunidades para engenheiros e mais ainda para mestres e doutores. Por outro lado, em diversos setores da economia, vagas para pessoal especializado não estão sendo preenchidas e, mesmo em grupos e centros de pesquisa de grandes instituições, há uma grande dificuldade na atração de talentos. Observamos um futuro complexo e não muito promissor. Precisamos cada vez mais de pessoal especializado e bem formado, mas ao mesmo tempo estamos formando pouco e com interesse cada vez menor das novas gerações. Com isso, são menos empregos gerados, uma desindustrialização cada vez maior e empregos de qualidade cada vez pior e de baixa remuneração, com grandes reflexos na economia. Fazendo a ligação com as áreas de pesquisa, o desinteresse, aqui por diversos motivos, por cursos relacionados à área de produção e exploração de petróleo levam a refletir em como vamos enfrentar mudanças climáticas. Precisamos de processos, como preconizado pelas Nações Unidas, de captura e armazenamento de carbono, uma área em que o Brasil pode ser líder mundial, no entanto, nem engenheiros e geólogos/geofísicos especialistas em reservatórios, ou mesmo de produção e/ou equipamentos subsea estamos formando. O cenário futuro de desenvolvimento de tecnologias locais é extremamente desafiador e talvez impossível de se concretizar. A quase totalidade de novas tecnologias é apenas importada e os breves espasmos que geram boas ideias que podem ser exportadas, são apenas isso, espasmos. Esse são insuficientes para mudar o cenário nacional, nos colocar como líderes no desenvolvimento de alguma área, como já fomos no passado e, o mais importante, segurar os cérebros nacionais no país para que possam desenvolver aqui suas próprias empresas e gerar riqueza localmente, como fazem muitas das potências mundiais. O desinteresse por cursos da área de produção e exploração de petróleo levam a refletir: como vamos enfrentar mudanças climáticas sem pessoal graduado?

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