e-revista Brasil Energia 487

Brasil Energia, nº 487, 25 de junho de 2024 59 A australiana Meteoric Resources está investindo R$ 1,5 bilhão, até 2026, para começar a extrair e beneficiar terras raras em Poços de Caldas, em Minas Gerais, onde há uma das maiores reservas do mundo desses minerais essenciais para a transição energética. Uma família de 17 elementos com características físico-químicas especiais, como transmissão de energia, luminosidade e magnetismo constante, os minerais, em específico quatro deles – neodímio (Nd), praseodímio (Pr), térbio (Tb) e disprósio (Dy) – , são as matérias- -primas dos ímãs permanentes, utilizados em todos os motores elétricos e presentes em vários produtos e tecnologias de descarbonização. “Um carro elétrico tem 2 quilos de ímãs permanentes e uma turbina eólica, duas toneladas”, disse o diretor executivo da Meteoric, Marcelo Carvalho. A planta em Poços de Caldas – projeto Caldeira – entrará em operação em sua primeira fase até 2027 com produção de 10 mil toneladas/ ano, aproximadamente 5% da demanda global de Nd/Pr. Mas, de acordo com Carvalho, o complexo de mineração é facilmente escalonável para 20 mil t/ano (7 mil t de Nd e Pr) até 2030, o que representaria de 10% a 15% da demanda global. A produção da Meteoric já tem um contrato de fornecimento completo com uma refinaria da Estônia, revela o diretor, que complementa, porém, que a intenção é desenvolver uma cadeia downstream no Brasil, para a produção dos ímãs permanentes no país. “Estamos em busca de parcerias para o desenvolvimento da indústria de transformação mineral aqui. Isso é o principal”, afirmou. Segundo ele, as vantagens da reserva brasileira na região de Poços de Caldas são muitas, para além do alto volume, que abriga 530 milhões de toneladas de minerais, com possibilidade de ampliação acima de 1 bilhão, o que garante pelo menos 100 anos de atividades de mineração.

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