e-revista Brasil Energia 487

60 Brasil Energia, nº 487, 25 de junho de 2024 transição energética Isso porque as reservas de MG são nas chamadas argilas iônicas, na superfície, que se destacam das predominantes no mundo hoje, em rocha dura, com muitas vantagens comparativas. Para começar, o custo de capital (capex) para a remoção e beneficiamento nas minas de rocha dura é até dez vezes maior, por volta de US$ 2 bilhões, e o custo operacional (opex), de 50 a 60 dólares por quilo de metal produzido, ainda maior do que a da argila iônica, segundo Carvalho. Mas para ele a vantagem talvez mais importante é ambiental. Isso porque nenhum depósito de rocha dura é preciso fazer cavas de mineração, gastar muita energia, detonar e processar os minérios com ácidos fortes e em temperaturas elevadas. Já na argila iônica o processo é simples, com lavra da argila, lavagem com uso de fertilizante ou ácido fraco e secagem posterior. “Ou seja, não existe barragem, rejeito e o consumo de água é muito pequeno”, disse. Essas vantagens nacionais, para Carvalho, podem fazer com que o Brasil faça frente no médio e longo prazo à China, que hoje produz 70% das terras raras do mundo, mas detém principalmente 98% da produção de ímãs permanentes. O país asiático tem dois tipos de depósitos, rocha dura e argila iônica, mas hoje a maior parte é feita pelo primeiro. Além da Meteoric, há mais dois projetos importantes no Brasil em argila iônica. A Mineração Serra Verde, em Minaçu, em Goiás, iniciou a operação no começo deste ano, em sua primeira fase, com previsão de chegar a uma produção de 5 mil toneladas por ano. Está contemplada uma segunda fase para dobrar a produção até 2030. A mineradora é de três grupos de investidores internacionais (Denham Capital, Vision Blue e The Energy & Minerals Group). O outro projeto é da canadense Aclara Resources, em Nova Roma, também em Goiás, cuja intenção é produzir 1,1 mil toneladas de neodímio e praseodímio e 208 toneladas de disprósio e térbio, com comissionamento previsto para 2029. n O Brasil pode vir a competir com a China, que hoje produz 70% das terras raras do mundo

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