Brasil Energia, nº 487, 25 de junho de 2024 65 A GNR Fortaleza, em Caucaia (CE), fruto de sociedade entre a Marquise Ambiental, proprietária e operadora do aterros, e a MDC Energia, é a única unidade do país cujo biometano produzido a partir da purificação do biogás de aterro é injetado na rede de distribuidora de gás. Com o projeto, a distribuidora Cegás conta hoje com cerca de 20% do seu suprimento de gás, 90 mil m3 por dia, por fonte renovável e, de quebra, ainda a dois centavos por metro cúbico mais barato do que o gás natural fornecido pela Petrobras, segundo o diretor presidente da Marquise, Hugo Nery. E recentemente a empresa deu mais um passo à frente na unidade de biometano em operação desde 2018. Sob a anuência da ANP, a GNR Fortaleza passou a misturar, antes da injeção na rede, todo o seu biometano com o gás natural fóssil, deixando de lado o procedimento até então adotado de separar o suprimento em três composições diferentes: uma parte da rede que recebia gás natural puro, outra biometano para, em um última fração, ocorrer a mistura dos dois combustíveis. A operação em caráter ainda piloto, segundo Nery, foi possível e aprovada pela agência por conta da qualidade do seu gás natural renovável, com 96% de metano. Também de acordo com Nery, a experiência se mostra bem-sucedida pelas análises realizadas. Para entender a nova operação, e ainda conhecer planos e a visão do executivo sobre o mercado de biometano, a reportagem da Brasil Energia conversou com Hugo Nery. Leia a seguir os principais trechos da entrevista: Como está a operação piloto de misturar o biometano com o gás natural antes da entrada na rede? A ANP aprovou esse piloto por um período de seis meses, nós já estamos no terceiro mês e temos tido até agora um sucesso muito grande com as análises feitas. A nossa expectativa é estender o prazo do piloto para que tenhamos um histórico de análises que mostrem ser possível manter a especificação do gás, podendo injetar até 20% a mais de biometano na rede do gás de petróleo. Mas por que só agora essa mistura prévia foi possível? As moléculas de metano do gás natural e do biometano são a mesma. O que tem de diferente são os outros componentes. O gás de petróleo tem componentes diferentes do gás do aterro sanitário, como, por exemplo, butano e etano, o que não tem no gás formado nos aterros sanitários, na degradação direta do resto de comida. Mas o que a GNR Fortaleza vem trabalhando há uns oi-
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