e-revista Brasil Energia 487

66 Brasil Energia, nº 487, 25 de junho de 2024 entrevista Hugo Nery to anos é para mostrar que temos uma qualidade de purificação que, ao colocar esse biometano dentro da rede, ele não altera a qualidade e a especificação do gás vendido pela distribuidora para os seus clientes. E isso foi positivo. A ANP acompanhou o nosso processo desde o início e aprovou a injeção na rede. E qual a diferença da operação anterior? Antes nós injetávamos o biometano numa rede e esta entrava na do gás natural. Então era medida só a qualidade do gás que saía da planta do biometano. E a nossa expectativa era a de que, se fizéssemos essa mistura prévia e a análise dela logo depois, seríamos capazes de colocar mais biometano dentro da rede porque a diluição dos componentes se daria com antecedência no misturador, entrando no padrão da distribuidora. A operação já chegou nos 20% a mais de biometano? Ainda não, porque a ideia não é injetar imediatamente 20% a mais, é ir aumentando essa participação do biometano na medida em que a análise da mistura estiver ok. Mas já aumentamos a mistura em 10% a mais nesses primeiros três meses e a expectativa é chegar nos 20%. Hoje isso já é possível porque tem uma queima de gás em flare de parte que não é possível aproveitar por conta de composições de outros produtos. Com a mistura esses componentes serão diluídos e poderão ser injetados na rede e serão aproveitados. E quanto em volume já representa esses 10% a mais? Estávamos injetando na rede da Cegás, antes desse processo, algo em torno de 80 mil metros cúbicos. E agora estamos injetando 90 mil metros cúbicos. Independentemente dos ganhos com a mistura, quanto dá para ampliar a produção no GNR Fortaleza ainda? A produção de biometano do aterro tem a ver com o tempo de vida do resto de comida dentro do sistema anaeróbico. Na medida em que se coloca o resíduo, o tempo vai passando e ele vai aumentando a degradação e produzindo mais biogás e, por consequência, mais biometano. Com isso, nós temos uma expectativa de produzir, no aterro sanitário, 105 mil metros cúbicos dia de biometano, provenientes de 220 mil toneladas de biogás. Para chegar a esse aumento de produção, a unidade já está preparada? Sim, a unidade em termos de equipamentos já está preparada. E como esse aterro que estamos operando é recém concluído, depois de encerrarmos o antigo, a curva de produção de biogás do aterro antigo é decrescente e do aterro novo é crescente. A nossa expectativa é que até o final do ano estejamos com a produção plena de biometano útil dos 105 mil metros cúbicos. Isso significa que vamos produzir algo em torno de 125 mil m3, já que parte será queimada porque a especificação não é adequada.

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