102 Brasil Energia, nº 488, 20 de setembro de 2024 Continuação Wagner Victer ve significativo crescimento, de 90 GW para cerca de 200 GW. Através dos leilões de geração, onde a EPE teve efetiva participação, foram realizados 47 certames, com 93 GW de potência instalada por mais de 1.400 empreendimentos e investimentos da ordem de 500 bilhões de reais. Na área de transmissão elétrica, um dos grandes gargalos do sistema integrado e que muito contribuíram para o “apagão”, os resultados foram ainda mais contundentes, pois foram implantados cerca de 120 mil km de linhas, o que daria para dar 4 voltas integrais em nosso planeta. Foram realizados 57 leilões, onde foram negociados investimentos da ordem de 390 bilhões de reais. Na energia renovável, considerada à época como "não convencional", as contribuições da EPE foram muito significativas. Posso citar a geração eólica, que teve um crescimento da ordem de 300 vezes, saindo de 39 MW para 12 GW. Já a produção de biodiesel saiu de 1.500 barris diários para 250 mil barris, um número 160 vezes maior. E a evolução mais significativa aconteceu na fonte solar, que de praticamente inexistente alcançou grandiosos 44 GW. Uma ação decisiva para a chamada Transição Energética muito antes que tal demanda fosse consenso. A EPE é um grande case de criação de um órgão para subsidiar e desenvolver políticas públicas de sucesso e sua trajetória, conduzida por titulares com sólida formação técnica desde Maurício Tolmasquim, o mais longevo executivo da empresa, passando por Luiz Barroso, Reive Barros, Thiago Barral, até o atual Thiago Prado, conseguiu dar resultados concretos, também por estar associada a uma equipe de profissionais de carreira. Isso permitiu construir uma razoável blindagem contra interferências políticas e consequentemente confiança e resiliência no setor energético nacional, como sonhávamos na época. Afirmo com tranquilidade que a EPE mostrou extrema capacidade técnica e idoneidade para planejar o setor elétrico brasileiro nas últimas duas décadas. Seus estudos e projeções foram cruciais para gerar estabilidade e previsibilidade aos investimentos, o que permitiu o crescimento equilibrado e sustentável da matriz energética do Brasil. Para o futuro, novos e complexos desafios se avizinham, como a intermitência das fontes renováveis no sistema, mudanças nas frotas veiculares e a expansão da conexão de grandes cargas, como de data centers e possivelmente H2 verde. Nesse cenário, há a necessidade da continuidade da existência de uma parte neutra e técnica para rediscutir os desenhos de mercado vigentes e coordenar o alinhamento entre o público e o mercado através da proposição de soluções concretas aos desafios vindouros. Após essas duas décadas, confio que a EPE está extremamente apta para dar continuidade a essa missão. A EPE é um grande case de criação de um órgão para subsidiar e desenvolver políticas públicas de sucesso
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