Brasil Energia, nº 488, 20 de setembro de 2024 105 Com cerca de 170 aterros com vida útil inferior a cinco anos, dos 334 para os quais 185 municípios do estado precisam percorrer mais do que 50 quilômetros para destinar seus resíduos sólidos urbanos, o estado de São Paulo dá sinais de que deve adotar, em breve, soluções de recuperação energética do lixo para tentar resolver pelo menos parte do problema. Para começar, o governo estadual está convocando os municípios paulistas a se inscreverem no programa batizado de Integra Resíduos, até outubro, que visa auxiliar os prefeitos com assessoria jurídica, estudos de viabilidade técnica e econômica e estruturações de consórcios intermunicipais e parcerias público- -privadas para projetos que, na maioria das vezes, devem incluir a recuperação energética. Já são 276 cidades inscritas no programa. Há outro sinal importante, dessa vez na capital paulista. Além de a região metropolitana de São Paulo sediar a construção da única URE do país viabilizada, a de Barueri, prevista para 2026, a capital deve ser o próximo palco dos investimentos na área. Isso porque foram incluídas na recente renovação bilionária de contratos para coleta de lixo urbano da cidade (valor total de R$ 80 bi para 20 anos) determinações de que as duas empresas responsáveis pelos serviços, a Ecourbis e a Loga, implantem cada uma delas duas UREs na cidade. Com a obrigatoriedade, as duas empresas já estão se adiantando com os projetos, alguns deles já com os fluxogramas de tecnologias praticamente estruturados, e começam conversações, inclusive, com o órgão ambiental paulista, a Cetesb, para saber quais requisitos precisarão seguir para serem licenciadas e assim poderem prosseguir com os projetos. Para viabilizar as usinas, segundo fontes a par das tratativas iniciais, a prefeitura financiará os projetos com o pagamento de um prêmio para o tratamento dos resíduos não-recicláveis dos sistemas de incineração (mass burning) e as empresas poderão negociar a energia no mercado livre. Cada uma das usinas deve ter capacidade para tratar 1000 t/dia Os projetos, segundo a determinação dos novos contratos de concessão, ficarão dentro de ecoparques. No caso do projeto da Ecourbis, serão um na zona leste, no aterro São João, e outro na zona sul, no aterro de Santo Amaro (desativado), onde está em licenciamento uma estação de transbordo de resíduos. De acordo com uma fonte, os ecoparques da Ecourbis vão ter três linhas de tratamento de resíduos. Uma será de triagem de materiais recicláveis, que vai usar a mão de obra de cooperativas e de catadores. Uma segunda etapa terá tratamento biológico de materiais orgânicos, onde será feita uma espécie de compostagem apenas com materiais limpos, como podas de árvores, resíduos de feiras livres e de jardinagem. Essa opção é para gerar um composto de melhor qualidade e não provocar o forte odor que resíduos orgânicos contaminados, em compostagens, provocam. Por fim, na recuperação energética a opção será pela incineração convencio-
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