e-revista Brasil Energia 488

Brasil Energia, nº 488, 20 de setembro de 2024 109 Potenciais investidores e profissionais ligados à tecnologia de recuperação energética de resíduos sólidos por meio de usinas térmicas com incineração estão preocupados com a possível tramitação no Congressso Nacional de um projeto de lei (4462/19) que proíbe as usinas nas cercanias de áreas residenciais. A alegação do autor do PL é a de que haveria riscos nas emissões da incineração, o que é rebatido por especialistas, como o consultor Antonio Bolognesi, da WTEEC, que explicou sua posição em entrevista à reportagem da Brasil Energia. Para Bolognesi, responsável pela elaboração de projeto já licenciado em São Paulo, o do Consórcio Intermunicipal de Manejo de Resíduos Sólidos da Região Metropolitana de Campinas, o Consimares, que reúne os municípios de Elias Fausto, Capivari, Hortolândia, Monte Mor, Nova Odessa, Santa Bárbara D´Oeste e Sumaré, a proposição é ideológica e não tem fundamento técnico. Prova disso, segundo ele, é que a maior parte das mais de 3 mil usinas de recuperação energética em operação no mundo não levam esses limites em conta em suas implementações. Isso principalmente por conta da alta eficiência dos sistemas de controle de emissões e ainda por conta do benefício de reduzir os trajetos das viagens dos caminhões de coleta de lixo, que normalmente percorrem caminhos maiores até aterros (estes sim, em boa parte mais distantes das cidades). Leia a seguir os principais trechos da entrevista: Como o sr. avalia o PL 4462/19, que pretende proibir usinas de recuperação energética (UREs), com incineração, nas cercanias de áreas residenciais? Esse tipo de perseguição ideológica é no mundo todo. E esse projeto de lei é pura ideologia e quer só inviabilizar o negócio. Não tem uma explicação lógica para essa perseguição, porque na prática é a melhor solução do mundo hoje para a destinação final de resíduos. Ela não traz nenhum tipo de problema. As emissões são extremamente baixas, em dezenas de vezes abaixo dos níveis máximos tolerados pelos órgãos ambientais. Não faz barulho, não faz fumaça, não tem mau cheiro, não deixa passivo no solo. Os resíduos são incinerados a uma temperatura da ordem de 1000 graus. Ou seja, nada sobrevive num ambiente dessa temperatura. Inclusive resíduos hospitalares são incinerados junto com os resíduos urbanos, porque nenhum outro tipo de tratamenO consultor Antonio Bolognesi opina que é plenamente possível operar com segurança usinas de recuperação energética (URE) em centros urbanos e traça um panorama para o mercado dessa fonte como necessária ao sistema de saúde pública | POR MARCELO FURTADO |

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