110 Brasil Energia, nº 488, 20 de setembro de 2024 entrevista Antonio Bolognesi to consegue uma eficiência tão alta em tratamento de patógenos. E o que sobra são de 10% a 15%, em volume, de cinzas, que são reaproveitadas na mistura com concreto ou no asfalto. Em específico, de que forma essa tentativa do PL de impor a distância mínima de 20 km de áreas residenciais pode inviabilizar as usinas? Todas as usinas de WTE (do inglês waste to energy) no mundo estão dentro das cidades, porque justamente isso é uma das grandes virtudes da solução. Os caminhões de lixo que iriam viajar 10 km, 15 km ou mais para levar os resíduos para os aterros vão gastar muito menos combustível para chegar até as usinas. Veja o exemplo de Paris, na França, tem três usinas literalmente dentro da cidade. Uma delas fica na margem do rio Sena, outra a dois quilômetros da torre Eiffel e a terceira perto do principal parque da cidade. Outras cidades, como Torino, Milão e Roma, na Itália, a mesma coisa. Até em Mônaco tem uma usina a 500 metros do Palácio do Governo. Mas não pode haver riscos com o controle da emissões? A tecnologia de controle é totalmente dominada pelas empresas de engenharia que atuam na área, tendo em vista a experiência acumulada em mais de 3 mil plantas no mundo. O sistema usa lavagem de gases, com uso principalmente de cal e carbono ativado. Um ciclone faz a mistura dos gases com esses dois materiais e tudo que é tipo de contaminante eventual, incluindo dioxinas e furanos e compostos de cloro, é retido nessa lavagem de gases. E essa mistura pode ser feita de forma seca ou úmida. Neste último caso, essa água que sai de lá é reciclada, não tem perda. A perda de água numa planta dessa é praticamente zero. E logo em seguida da lavagem tem um filtro de mangas, que usa milhares de tecidos que seguram todo e qualquer tipo de poeira resultante da filtragem, do tratamento e da queima. Ou seja, o que sai na chaminé é praticamente vapor d’água. Os críticos apontam que o problema é que a tecnologia pode incinerar materiais com possibilidade de serem reciclados. Qual sua visão sobre isso? Não, todas as plantas no mundo só incineram materiais que vão para debaixo da terra nos aterros sanitários. Ou seja, só materiais não recicláveis. Tudo aquilo que for coletado para ser reciclado não é incinerado, é óbvio. Porque ele é separado antes. Tanto é assim que os países que mais reciclam são os que mais usam a tecnologia de incineração para geração de energia. E esses projetos vêm não raro com aderência a programas de educação ambiental, de esclarecimento da sociedade sobre a destinação de resíduos. Mas e como ficam os aterros controlados nesse cenário? Não vou nem questionar se aterro é bom ou não é bom. Mas na Europa, por exemplo, os países estão há quase 50 anos num movimento de eliminação deles. Há uns lugares onde eles já não são mais permitidos, como na Alemanha, todos os escandinavos, na Suíça. Na média europeia a destinação para aterros representa cerca de 20%, principalmente nos países do leste europeu, mas que hoje são os que mais estão implantando novas usinas. A China é outro exemplo clássico. É a que mais está investindo, com a marca assustadora de praticamente uma nova usina por semana nos últimos anos.
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