e-revista Brasil Energia 488

Brasil Energia, nº 488, 20 de setembro de 2024 111 A China já tem a maior capacidade instalada? Em volume de resíduos tratados é o maior parque do mundo. Mas em número de plantas não. O Japão tem mais, com cerca de 1.100 instaladas. Porque também o Japão nem tem mais espaço para aterros, eles incineram tudo o que não é reciclável. E não à toa o país tem uma das melhores coletas seletivas do mundo. Mas a questão de espaço não é problema para o Brasil, certo? Isso também é conversa de quem quer realmente fazer aterro. Porque não faz sentido. O espaço que se ocupa para uma URE, projetada para atender uma cidade de 1 milhão de habitantes, é de 4 hectares. Uma planta dessa tem uma vida útil estimada em 40 anos. Nesse período, se a cidade for aterrar o lixo que passaria pelo incinerador, seriam ocupados algo como 300 hectares. Ou seja, praticamente cem vezes mais do que ocupa uma usina. Só que aí ainda tem uma diferença muito importante. O aterro é para sempre. É uma área perdida. Você não pode fazer nada com ela. A WTE não. Se depois de 40 anos a cidade não quiser mais a usina, vai lá e recicla tudo e libera a área para usar até na agricultura. Porque tudo na usina é reciclável, metal, chapa de aço, e ela não contamina os solos, tem risco ambiental zero. Já o futuro com aterros é algo insano, com áreas gigantescas de montanhas de lixo enterrado. Mesmo que se coloque um filme de plástico no fundo para não contaminar o solo e se capte parte do metano que iria para atmosfeta, não faz sentido. A sua empresa é responsável pelo projeto do consórcio intermunicipal do interior paulista, o Consimares, que já está até licenciado. Será viabilizado? Ele só não foi para licitação ainda por conta de discussões políticas. Mas isso está sendo resolvido e eu acredito que até o começo do ano que vem deve sair a licitação. Poderia até sair este ano, mas com as eleições para prefeitos, é muito difícil conseguir colocar para frente um projeto que pode acabar sendo usado politicamente. Estão esperando contratação em algum próximo leilão de energia, como ocorreu com o único projeto em construção, a URE Barueri? Isso vai depender do que nós estamos lutando no Congresso Nacional, por meio da Abren, para que nesse tipo de projeto, não apenas o Consimares, a compra da energia seja automática. Porque não faz sentido você fazer um leilão de energia, depois um leilão de concessão, depois um outro leilão de energia. Você gera uma insegurança jurídica muito grande. É ruim para o projeto. O que está sendo pensado? Estamos discutindo duas possibilidades. A primeira seria um leilão simultâneo, com licitação da concessão junto com o leilão da energia, no mesmo dia, na mesma hora, com uma proposta conjunta. A segunda seria uma compra automática da energia, ou seja, o projeto vencedor adquire o direito de vender energia automaticamente para o sistema interligado, sem a necessidade de leilão. É assim no mundo todo. Não existem duas licitações para uma viabilizar uma URE. O que ocorre nos projetos pelo mundo é que ou o próprio Poder Público constrói, por meio de uma empresa pública para fazer aquela planta, ou então existe uma licitação integrada, pela qual o concessionário que ganha

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