e-revista Brasil Energia 488

112 Brasil Energia, nº 488, 20 de setembro de 2024 entrevista Antonio Bolognesi o projeto já automaticamente tem a energia negociada com a rede. Aliás, o preço elevado da energia negociada nos leilões (R$ 714/MWh) também não atrapalha a viabilização dos projetos? As térmicas com resíduos sólidos não são para competir com eólica ou solar, porque ela é uma fonte que vai solucionar principalmente um problema de saneamento básico. E é assim no mundo inteiro. A energia é um subproduto do processo. Mas é importante como fonte de energia, porque funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, o ano inteiro, estável e eficiente. A disponibilidade dela é na faixa de 95%, porque não se para de produzir lixo. Inclusive nos países mais evoluídos do mundo, o lixo sempre aumenta de forma proporcional ao número de pessoas. A eficiência energética das usinas é de quanto? Para produção de energia elétrica tem uma eficiência máxima na faixa de 35%. Ainda assim é maior do que uma planta de energia solar, que no máximo chega a 25%, e similar a de eólicas, que variam de 35% a 45%. Mas não dá para comparar. Ninguém vai dizer que não vai investir em solar ou em biogás da agricultura, por exemplo, que tem 30%, porque tem essa eficiência. Na verdade, é preciso aproveitar todos os tipos de energia, caso contrário é uma má gestão de recursos naturais. O capex da usinas também é alto. Isso é um obstáculo para o mercado? Não, a solução é totalmente viável no Brasil. Os projetos que estamos desenvolvendo levam em consideração a taxa de lixo que vai ser paga e a energia elétrica. No primeiro caso, está na faixa do mesmo que se paga para os aterros, entre 150 e 180 reais por tonelada. E aí tem a energia que, obviamente, vai ser em função do tamanho da planta. Quanto maior a planta, menor o custo da energia. E aí o valor do que foi pago no leilão, acima dos 700 reais, corrigidos para hoje, já viabilizam. Tudo bem, vai ser mais caro do que a eólica, mas o objetivo dessa fonte, como já disse, é resolver um problema ambiental. Além do Consimares, quais mais projetos sua empresa está desenvolvendo? Temos vários em estudo e dois totalmente desenvolvidos, além do Consimares o de Brasília, de 60 MW, que ainda não recebeu a licença por ser um processo demorado. Mas em estudo temos três no Nordeste, ainda com acordo de confidencialidade, dois em Santa Catarina e outro no Rio Grande do Sul. É bom ressaltar, aliás, que todos as plantas no Brasil que foram propostas aos órgãos ambientais foram licenciadas, como os projetos de Mauá e Santos, em São Paulo, do Caju, no Rio, e, claro, a de Barueri. Isso mostra como elas são seguras. É só decisão política para começar. Tem percebido vontade política para isso? Sem dúvida. E nesse sentido, além da região metropolitana de São Paulo ter a primeira usina viabilizada, em Barueri, a capital paulista vai puxar o mercado. Com a recente renovação dos contratos de gestão de resíduos, as duas concessionárias (Ecourbis e Loga) estão obrigadas a construir, como condição da renovação, cada uma duas UREs, para tratar mil toneladas por dia cada. Isso já está determinado no contrato. O projeto da Ecourbis, para começar, já está até desenhado. Vão contemplar dois ecoparques com UREs na zona sul, no aterro desativado de Santo Amaro, e na zona leste, no Aterro São João, todos com programa de coleta e triagem, compostagem de materiais orgânicos limpos e a incineração com a geração de energia (mass burning). n

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