Brasil Energia, nº 488, 20 de setembro de 2024 51 Marcelo Souza de Castro, graduado em Engenharia Mecatrônica e doutor em Engenharia Mecânica, é diretor do Cepetro, da Unicamp. Escreve na Brasil Energia a cada dois meses. Marcelo Souza de Castro Desenvolvimento tecnológico e a redução da pegada de carbono em OG O desenvolvimento humano traz consigo um consequente aumento da demanda de energia e seu uso primordial na forma de eletricidade para, praticamente, todas as atividades. Entretanto, a eletricidade em si é apenas um vetor de transporte de energia, gerada a partir de fontes primárias como carvão, óleo, gás, nuclear, hidrelétrica, solar, eólica e outras, até o seu uso final. Por exemplo, na forma de movimento em motores que tracionam carros elétricos. Nesse ponto, a demanda mundial por energia primária, em todos os cenários, é de aumento, em conjunto com o aumento da população. Para tal, a geração primária precisa acompanhar o crescimento. Um ponto importante é que a demanda por petróleo, pelo menos por mais algumas décadas, ainda será grande. Apesar da busca incessante por novas fontes de energia, desenvolvemos toda uma indústria baseada em fontes fósseis e a sua substituição é cara e complexa e, em muitos casos, inviável economicamente ou tecnicamente com a tecnologia atual. A busca por novas tecnologias continuará, o que é importante e é recorrente na história humana, mas ao mesmo tempo precisamos também desenvolver tecnologias para melhorar a produção de fontes de energia atuais. A grande demanda atual é pela produção de petróleo e gás com menor pegada de carbono, com maior eficiência energética e mais segura em todos os sentidos. Se olharmos historicamente, anos atrás era permitido a liberação de diversos gases na atmosfera quando da produção. Hoje isso não é permitido e as empresas estão tendo que se adaptar e buscar novas tecnologias. Pouco tempo atrás, observamos o imbróglio gigantesco do descomissionamento do porta-aviões brasileiro, que por fim foi afundado, visto que ninguém o quis dado, entre outros motivos, pelo passivo ambiental. No setor de óleo e gás as plataformas atuais são construídas pensando, até mesmo, no processo final, de parada de produção, criando um novo cenário de necessidade de novos atores econômicos que possam atuar nessa economia circular, tema este objeto de pesquisa em universidades e centros de pesquisa. Voltando ao tema de redução da pegada de carbono, a infraestrutura atual procura reduzir a emissão de metano e CO2 produzidos, usando técnicas de Captura e Estocagem de Carbono (CCS na sigla em inglês). Isto impacta diretamente em novas análises de reservatórios e estudos do impacto do CO2 no mesmo, com vistas à redução da formação de deposição inorgânica, por exemplo, e melhorias em processos de imageamento e sísmica. No final, busca-se garantir que o CO2 injetado esteja estocado e seja possível o monitoramento de eventuais vazamentos. Ainda, a eletrificação dos processos usando energia elétrica gerada por fontes de bai-
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