e-revista Brasil Energia 488

58 Brasil Energia, nº 488, 20 de setembro de 2024 consumidor Essa dissociação deve tirar a pressão pela inevitável demanda explosiva de digitalização de várias atividades, com uso crescente de inteligência artificial, smart grids (redes de energia inteligentes), além de veículos autônomos e produção robotizada. Ainda na avaliação dos pesquisadores, as análises mais comuns sobre datacenters, que identificam consumo de energia dobrado na última década e com projeção de triplicar ou quadruplicar até 2030, são simplistas. “Tais estimativas contribuem para uma sabedoria convencional de que, à medida que a demanda por serviços de datacenter aumenta rapidamente, o mesmo deve acontecer com seu uso global de energia”, diz o estudo. O erro da “sabedoria convencional” estaria no desprezo pelas tendências compensatórias de eficiência energética que ocorreram em paralelo nas tecnologias. O artigo identificou ainda sobrecálculo no consumo de energia nos datacenters, entre a maior parte dos estudos divulgados, sugerindo que o uso tenha passado de 153 TWh em 2005 para uma média entre 203 TWh e 273 TWh em 2010, o que totaliza entre 1,1% a 1,5% do consumo global. Reconhecendo que a partir desse período o cenário do mercado tenha mudado de forma acentuada, com o tráfego de IP aumentando em dez vezes até 2018 e o armazenamento em até 25 vezes, como contraponto os autores afirmam que o uso de eletricidade por computação de um servidor típico tenha caída por um fator de quatro, tendência que se mantém até hoje. Da mesma forma, os watts por terabyte de armazenamento também caíram por fator de nove, assim como a necessidade de servidores nas centrais, agora mais capazes. (M.F.) A Agência Internacional de Energia (IEA) decidiu ser mais cautelosa com as projeções quase catastróficas de aumento de consumo de energia no mundo por conta da movimentação e armazenamento de dados em datacenters. Em seu relatório de demanda de eletricidade do primeiro semestre deste ano, publicado no dia 15 de julho, a agência, que constantemente alertava o mundo sobre a demanda em aceleração no setor, dessa vez afirma que as estimativas para o futuro do consumo em datacenters e em inteligência artificial seguem extrapolações bastante simplistas, assumindo taxas de crescimento não confiáveis, que oscilam a depender do cenário. Citando o caso mais notável, o dos Estados Unidos, que concentra o maior número dessas centrais, a IEA coloca em dúvida projeções de empresas de IEA minimiza preocupação com alta no consumo de energia dos datacenters Para a agência, estudos que apontam crescimento acelerado usam dupla contagem e ignoram eficiência energética dos sistemas

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