e-revista Brasil Energia 488

60 Brasil Energia, nº 488, 20 de setembro de 2024 consumidor consultoria, de bancos de investimento, analistas e organizações do setor, que têm considerado que a operação dos datacenters pode representar entre 4% e 10% do uso norte-americano de eletricidade em 2030. Além de alertar sobre as diferentes taxas compostas de crescimento anual (CAGR) que esses estudos consideram, a agência alerta que os dados de consumo utilizados podem ser fruto de dupla contagem, já que as informações na maioria das vezes são coletadas nas concessionárias de energia, que recebem os pedidos para conexão. “As solicitações [de conexões] podem ser feitas a várias operadoras de rede ao mesmo tempo”, afirma a IEA. Segundo o relatório, as incertezas quanto à demanda futura também estão relacionadas aos avanços tecnológicos e a melhorias de eficiência, como também concluiu recente estudo do Instituto Lawrence Berkeley (leia nesta edição). A agência aponta que as unidades de processamento de imagens e demais equipamentos de inteligência artificial (principalmente os chamados aceleradores de IA), que comumente são apontados como vilões do consumo, estão ficando cada vez mais eficientes em energia, mesmo que também mais poderosos. Para ilustrar sua tese, o relatório cita o caso da empresa norte-americana Nvidia, que tem 95% da participação no mercado global de aceleradores de IA, cuja nova geração de chips em relação à geração mais antiga é 25 vezes mais eficiente em consumo de energia. Regiões afetadas Na análise da IEA, porém, a preocupação com o consumo em datacenters pode ser considerada em certas regiões do mundo onde eles estão concentrados. Seriam os casos, por exemplo, da Irlanda, onde 18% da demanda de eletricidade veio do setor de datacenters em 2022, e de Cingapura, onde as centrais representaram cerca de 7% do consumo em 2020. Isso fez haver até restrições ao comissionamento de novos datacenters para evitar conexões a mais na rede, o que aconteceu em Dublin, na Irlanda, que estabeleceu novas condições de conexão a partir de 2021. Ainda na Holanda, em janeiro deste ano, novos data centers de grande escala passaram a ter restrições, assim como em Cingapura, que limitou conexões em 2019, posteriormente relaxadas em 2022. Mas globalmente a agência utiliza de comparações com outros setores para não apostar no alarmismo com o consumo futuro. Isso porque, apesar de sua projeção ser a de que o setor de datacenters (excluindo criptomoedas) deva passar de uma participação atual de 1 a 1,3% da demanda global de eletricidade para uma faixa entre 1,5 e 3% até 2026, o relatório lembra que o tradicional setor de alumínio primário consome atualmente cerca de 4% da eletricidade global. Também os carros elétricos, que já consumiram 0,5% da eletricidade mundial em 2022, devem chegar a uma faixa parecida com a projetada para os datacenters, com 2% de participação até 2026. (M.F.) n

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