e-revista Brasil Energia 488

Brasil Energia, nº 488, 20 de setembro de 2024 81 José Almeida dos Santos, geólogo-UFRJ, é consultor na área de energia. Escreve na Brasil Energia a cada dois meses. José Almeida dos Santos A revolução potencial do shale gas e tight oil Segundo artigo de uma série de três sobre o tema, mostrando como o Brasil ficou para trás nessa atividade que está levando diversos países a ocupar posição de destaque na produção global de OG Co-autor: Kazumi Miura De modo geral, todo óleo e todo gás são produzidos após intenso fraturamento das rochas. Ultimamente, poços horizontais e radiais de longo alcance, com múltiplos estágios que permitem atingir maior extensão de rochas e, consequentemente, maior liberação de hidrocarbonetos também alongam o nível de produção de cada poço. Essa combinação de tecnologias, associada a rochas com maior concentração de hidrocarbonetos, tem permitido uma evolução muito rápida e cada vez mais econômica nesse modelo de produção, mudando inclusive o perfil produtor de alguns países. Neste artigo, continuamos focando nos progressos alcançados nos Estados Unidos e na China, onde a exploração do shale gás tem sido mais intensa. Nos Estados Unidos os dados são os mais relevantes na indústria em todos os sentidos. Desde o incremento nas produções de óleo e gás, como na mudança da matriz energética, com menor emissão de gases de efeito estufa, até as facilidades para os licenciamentos de projetos, tudo tem contribuído para esse olhar. Também é relevante a diversidade no fornecimento de serviços para atender a indústria, como equipamentos de perfuração de poços horizontais e equipamentos para fraturamento, além do esforço em geral da indústria para tornar os produtos químicos usados no fraturamento menos agressivos ao meio ambiente. Quase 60 anos de História Para entendermos melhor o desenvolvimento desse segmento, vamos enumerar os fatos que aconteceram na indústria americana e que tornaram esse setor competitivo com a indústria convencional de hidrocarbonetos. 1965: pela primeira vez um poço vertical foi fraturado com resultados positivos. 1976: the Eastern Gas Shales Project (EGSP) foi lançado fazendo em larga escala fraturamento de poços verticais. 1986: o primeiro poço horizontal do mundo foi feito com múltiplos estágios de fraturamento e monitorado com microssísmica. 1991: primeiro poço horizontal com múltiplo estágio de fraturamento foi implementado no Barnett gas field-USA. 1997: pela primeira vez foi usado em poço vertical o fraturamento com o chamado slick water, que é um tipo de fluido com água, areias e produtos químicos. 2002: o uso de múltiplos estágios de fraturamento e slick water em 7 poços horizontais produziu uma verdadeira revolução nos resultados. 2004: poços horizontais com múltiplos estágios de fraturamento e uso de slick water foi implementado em larga escala nos Estados Unidos. 2005: o fraturamento em larga escala foi implementado. 2006: o conceito de stimulated reservoir volume (SRV) pela primeira vez foi proposto. 2009: a ideia de redução dos espaçamento entre clusters foi introduzido. 2012: o múltiplo estágio, múltiplo Cluster e o LPG waterless fracturing test foi executado. Desde então essa tecnologia vem sendo continuamente aplicada e com avanços. Mais de 100.000 poços foram fraturados usando essa tecnologia. A evolução dessa indústria nos Estados Unidos resultou numa verdadeira revolução na produção de gás, levando os

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