e-revista Brasil Energia 488

82 Brasil Energia, nº 488, 20 de setembro de 2024 Continuação José Almeida dos Santos Estados Unidos a se tornarem o líder absoluto desse segmento no mundo. Conforme mostra o mapa, as bacias sedimentares norte-americanas onde ocorrem os folhelhos estão espalhadas em quase todo o território do país, permitindo que a produção seja distribuída por uma rede de dutos com grande capilaridade e, em alguns casos, distribuídos localmente, com pouco custo de transporte. A distribuição das bacias, associada à qualidade dos folhelhos, em alguns casos a pouca profundidade, certamente contribuíram, junto com a decisão de política pública, para o enorme avanço desse segmento na indústria americana. O aprendizado chinês O conhecimento adquirido pela indústria americana com o desenvolvimento da tecnologia para produzir tanto o shale gas como o tight oil permitiu a outros países aproveitar essas conquistas e concentrar esforços na busca e desenvolvimento da atividade. E um dos que mais avançou foi a China, com reservas não convencionais de mais de 1.115,2 trilhão de pés cúbicos de gás e mais de 32 bilhões bbl de óleo, segundo estima a Energy Information Administration (EIA). A aplicação de enormes esforços financeiros e técnicos, associados à decisão política de apoio à indústria, levou a produção desses reservatórios na China a avançar de forma exponencial a partir de 2010. A China depende dessa produção para atenuar o uso de fontes energéticas poluidoras, como o carvão e o óleo combustível. A seguir, um curto histórico da evolução desse segmento na China, onde os recursos de shale gas são abundantes. 2004: o país deu início aos esforços em pesquisas. 2005: foi proposto o primeiro desenvolvimento desse tipo de poço. 2007: a CNPC e a Newfield Exploration iniciaram os estudos conjuntos na Bacia de Sichuan. 2008: dois projetos foram executados nas bacias Sichuan e Zhaotong. 2009: foi assinado MOU entre China e Estados Unidos para execução do primeiro projeto de shale gás. 2010: a Sinopec e CNPC realizaram o primeiro fraturamento em poço vertical na China. 2011: o governo aprovou o início da exploração e produção, em ritmo acelerado. 2012: o governo oficializou a aceleração desses recursos e a aplicação em larga escala do processo de fraturamento com todas as ferramentas usadas nos Estados unidos em três áreas confirmadas (Changning–Weiyuan, Zhaotong ae Yan'an) como produtoras de gás. 2013: as áreas possíveis de produção foram estabelecidas e pequena produção realizada. 2019: neste ano, já havia 1.092 poços fraturados e completados para produção. A China mantinha incremento forte da produção ano a ano, tornando-se rapidamente o segundo produtor global de shale gás. Apesar de várias dificuldades e desafios ainda presentes na indústria, como a quantidade de água usada nos fraturamentos, a profundidade dos reservatórios e a infraestrutura para a distribuição, a produção alcançou a marca de 20,4 bilhões de m3 em 2020, representando 10,6% da produção de gás da China. O mapa mostra grandes bacias sedimentares com presença desse tipo de rochas, o que certamente vai contribuir para o avanço da produção desses reservatórios. Estatísticas do governo chinês indicam que a Bacia de Sichuan já produziu mais de 60 bilhões m3 de shale gas, o que permitiu evitar a emissão de mais de 100 milhões de toneladas de CO2. Há indicações de descobertas de volumes elevados de shale gas em outras bacias da China, que levaram o governo a estimar grandes saltos na produção do shale nos próximos anos. Em 2021, a produção alcançou 23 bilhões de m3 e estima-se que em 2022 tenha fechado em 25 bilhões de m3. Para 2025, a estimativa é de 30 bilhões de m3. Para ler a continuação desse artigo, com os gráficos, acesse https://brasilenergia.com.br/petroleoegas/a-revolucao-potencial-do-shale-gas-e-do-tight-oil---parte-ii

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