e-revista Brasil Energia 489

108 Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 Continuação Bruna de Souza Moraes Essa meta ambiciosa tem potencial para mudar o panorama do setor (que hoje conta com aproximadamente 100 milhões de brasileiros sem acesso a coleta de esgoto) e coloca o Brasil em um caminho alinhado aos compromissos internacionais. No entanto, questões como a falta de financiamento adequado, a burocracia e as desigualdades regionais podem comprometer o progresso dessa agenda. O novo marco legal do saneamento é um passo importante para atrair o financiamento necessário, uma vez que incentiva o envolvimento do setor privado. Implementar essas colaborações é, no entanto, desafiador, particularmente em regiões de menor atratividade econômica, como o Norte e o Nordeste, onde as baixas taxas de acesso ao saneamento básico e a carência de infraestrutura são mais perceptíveis. Sem uma estratégia integrada que contemple essas regiões, a desigualdade no acesso aos serviços básicos tende a se agravar, dificultando o cumprimento das metas dos ODS. A precariedade no tratamento de resíduos sólidos é outro problema: a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), criada em 2010, tem sido bastante lenta e o país ainda destina grande parte de seus resíduos a lixões e aterros sanitários inadequados, com impactos negativos para o meio ambiente. A maioria dos municípios brasileiros ainda enfrenta obstáculos para implantar sistemas de coleta seletiva e grande parte dos resíduos é incorretamente descartada. A participação do Brasil na COP 29 deveria, portanto, focar em ações realistas e de longo prazo visando solucionar ao menos as questões básicas. É essencial que o país apresente planos de ação com metas viáveis e indicadores claros de progresso e que busque alianças com outros países e organizações para compartilhar conhecimento e tecnologia. Internamente, é preciso buscar parcerias entre governo, universidades e instituições de pesquisa, setor privado e sociedade civil para conscientização e investimentos em práticas sustentáveis, que realmente tragam benefícios para a população e avancem as metas dos ODS. A participação do Brasil na COP 29 deveria focar em ações realistas e de longo prazo, visando solucionar ao menos as questões básicas

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