Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 147 Os recentes apagões na capital paulista trouxeram várias pautas para o debate, entre elas a necessidade de implantação de redes subterrâneas para distribuição e para transmissão de energia em algumas áreas urbanas. O enterramento das redes aéreas tem sido apontado como solução para reduzir os riscos de eventos climáticos severos, mas não se trata de um recurso rápido e barato. E mais: segundo estudo do Ipea, o Brasil tem uma média de apenas 0,4% de linhas de energia enterradas, contra os cerca de 20% dos Estados Unidos, para ficarmos num só exemplo. Especialistas no tema, como Dayron Urrego, diretor executivo da Isa Energia Brasil, lembram que o investimento pode ser dez vezes maior do que a infraestrutura aérea. A concessionária tem lugar de fala no tema, pois seu projeto de transmissão Riacho Grande prevê a ativação de trecho de linha enterrada na Região Metropolitana de São Paulo. Ele lembra que a combinação de fatores como necessidade de confiabilidade em eventos climáticos severos, combinados com regiões urbanas densamente povoadas, pode pautar a indicação de infraestrutura subterrânea no futuro. Juliano Gonçalves, executivo da Meggers, e profissional com experiência na antiga AES (atual Enel), inclusive nos Estados Unidos, argumenta que o Brasil historicamente adotou as linhas aéreas por uma questão de custo. De acordo com ele, as maiores redes são da CEB, em Brasília, com 600 km, seguidas pelas infraestruturas da Light, no Rio, com 500 km; e da Enel, em São Paulo, com 460 km. A Cemig, por sua vez, administra uma rede de 137 km em Belo Horizonte, com cerca de 400 transformadores, enquanto a Copel tem uma malha de 90 km e aproximadamente 200 transformadores. Em Porto Alegre, a rede somaria 2,8 km. “A rede aérea tem uma configuração muito básica, com a saída da energia de uma subestação, passando pelos transformadores até chegar as casas. Esse modelo foi instituído desde o início porque é o mais barato, muito mais simples e visualmente fácil de identificar”, resume. O especialista afirma que DAYRON URREGO, diretor executivo da Isa Energia Brasil: investimento em rede subterrânea pode ser dez vezes maior do que a infraestrutura aérea
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