162 Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 NOVOS MODELOS E TECNOLOGIAS EM ENERGIA De acordo com Henrique Gross, gerente regional de Vendas de HVDC da Hitachi Energy, o Brasil tem um perfil de aplicação para a tecnologia em função de sua dimensão geográfica e da grande capacidade de geração estar longe dos tradicionais centros de carga. Essa foi a razão do primeiro sistema em 600kV em Itaipu, operado pela Eletrobras, com aproximadamente 800 km e conectando as subestações de Foz do Iguaçu (PR) e Ibiúna (SP). O terceiro projeto (800kV), em Belo Monte, e a linha de transmissão do Rio Madeira, na época a mais longa do mundo, com 2.385 km de extensão, completam o portfólio brasileiro. O sistema de Itaipu tem uma importância especial por operar com grande capacidade de transmissão de potência e alta disponibilidade durante mais de 40 anos. A instalação passa por uma modernização, de acordo com a Itaipu Binacional. Escoamento de eólicas Assim como no escoamento da geração hidráulica, agora a HVDC aparece como solução para ser uma rede expressa de transporte de novas renováveis, caso das eólicas do Nordeste para o Sudeste. “Nos estudos da EPE, a tecnologia tem se mostrado a mais viável pela característica de estabilização da rede e as vantagens econômicas”, explica Gross. Segundo ele, apesar do custo inicial de uma estação conversora HVDC ser maior do que uma subestação em corrente alternada (CA), uma linha de transmissão em CA demanda a instalação de compensação de reativos em intervalos regulares, conforme a distância percorrida cresce, até um ponto em que o sistema HVDC se torna mais competitivo. Ainda devem ser levados em conta as perdas menores, a menor necessidade de espaço e linhas de transmissão e por fim os serviços de estabilização e versatilidade para o sistema de transmissão como um todo. Na adoção dos sistemas HVDC, o Brasil não é exceção. O grande impulsionador é a transição energética para fontes renováveis. É o caso da geração solar em locais remotos e da interligação de geração eólica offshore ao continente. Esse é o foco de um estudo do Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), afiliado à USP, onde a HVDC aparece listada, ao lado de outras soluções. Para os pesquisadores do RCGI, a tecnologia demandaria a instalação de estações conversoras de potência CA/CC terrestre e marítima, elevando os custos no caso da interligação das fontes eólicas offshore, mas a discussão está aberta. Gross aponta a desvantagem citada pelo RCGI, lembrando que sistemas em corrente Foto: Divulgação/Hitachi Energy
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