e-revista Brasil Energia 489

Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 25 A edição de 15 de março de 1960 do jornal carioca “Correio da Manhã” dedicou a maior parte da página 7 do 2º Caderno a relatos sobre a célebre cheia que atingia naqueles dias grande parte do Brasil, especialmente os estados do Nordeste, e suas consequências desastrosas. Um desses relatos dava conta da tragédia nos municípios históricos baianos de Cachoeira e São Félix, inundadas pelas águas do rio Paraguaçu. Em um dos trechos, a reportagem fala de “mais de duas mil pessoas” abrigadas no espaço acanhado de um convento em Cachoeira e de “milhares de vítimas” perambulando pelas ruas não alagadas de São Félix “somente com a roupa do corpo”. A cheia de 1960 foi apenas uma das muitas que flagelaram por séculos as duas cidades e a vizinha, rio abaixo, Maragogipe. Outra famosa aconteceu em 1948, quando embarcações navegando em meio aos casarões seculares provocaram comparações poéticas com a paisagem de Veneza, na Itália, abstraindo o trágico. No final da década de 1970, últimos anos do salto econômico dado pelo país, apelidado de “Milagre Brasileiro”, o governo da Bahia resolveu dar um basta no flagelo. Os estudos já apontavam que a solução seria a construção de uma barragem para controle das cheias do Paraguaçu e o ponto escolhido, pelas características do relevo, foi uma espécie de garganta que fica apenas a cerca de 2 km rio acima das cidades gêmeas de Cachoeira e São Félix, separadas pela histórica Ponte D. Pedro II, inaugurada em 1885 pelo próprio homenageado. A obra, segundo histórico da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), foi concluída em 1983 e a ela, como um desdobramento natural, se seguiu a construção da Estação de Tratamento de Água (ETA) de Feira, destinada a prover água potável para Feira de Santana, segunda mais populosa cidade baiana, e região, inaugurada em 1984. A água de Pedra do Cavalo chegaria a Salvador, distante 120 km, em 1990, com a inauguração da ETA Principal, no município de Candeias. Hoje o reservatório responde por cerca de 60% do suprimento de água a Salvador e Região Metropolitana, além de Feira de Santana e entorno, cuja captação em Pedra do Cavalo está em fase de ampliação. Foto: Rafael Martins/ Folhapress

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