e-revista Brasil Energia 489

26 Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 HIDRELÉTRICAS, ÁGUA E SUSTENTABILIDADE A vez da energia elétrica Regularização de cheias, abastecimento humano e irrigação foram as destinações primárias, e até hoje prioritárias, da água represada em Pedra do Cavalo, além da pesca e lazer. Curiosamente, embora o Brasil tenha vivido entre os anos 1970 e 1980 um dos períodos mais férteis de crescimento da geração hidrelétrica, inaugurando usinas como Itaipu, Tucuruí, Ilha Solteira, Paulo Afonso IV, Itumbiara, São Simão e Foz do Areia, para ficar apenas entre as maiores, a barragem de Pedra do Cavalo não nasceu com a mesma vocação, embora seu perfil fosse talhado para o papel. Somente no dia 23 de abril de 2002, sob os efeitos do vácuo de investimentos no setor que levou ao traumático racionamento de energia elétrica de 2001, é que foi assinado o contrato de concessão nº 19/2002 entre a Aneel e a Votorantim Cimentos, vencedora do leilão realizado no ano anterior, para exploração da UHE Pedra do Cavalo, de 160 MW. O engenheiro Dejair Silva de Lima, gerente de Operações da usina, explica que, embora somente com o alerta da crise hídrica de 2001 tenha sido decidida a construção da UHE, o governo da Bahia já previa o aproveitamento desde quando o reservatório foi construído. Tanto que, segundo ele, a obra inicial já incluiu a tomada d’água e os condutos que futuramente levariam a água para o conjunto formado pelas duas unidades geradoras (UGs) que vieram a ser instaladas depois. A UHE foi inaugurada em 2005 e desde então, conforme o relato de Lima, a geração hidrelétrica é mais uma atividade do projeto como um todo, sob a coordenação da Companhia de Engenharia Ambiental e de Recursos Hídricos da Bahia (Cerb). O executivo explica que a Votorantim participa dos vários fóruns responsáveis pela gestão do reservatório, como o comitê de bacia e a Área de Proteção Ambiental Lago de Pedra do Cavalo, em sintonia com outros órgãos estaduais, como o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). Quem trafega pela BR-101, indo do Sul-Sudeste para o Nordeste do país, ao passar pelo trecho entre as cidades de Cruz das Almas e Feira de Santana vê à esquerda um enorme paredão de concreto no meio e de pedras nas laterais, tendo abaixo o leito do Paraguaçu, maior rio 100% baiano, que se prepara para, a partir dali, percorrer os últimos 46 dos seus 600 km de extensão, único trecho continuamente navegável da calha, até desaguar na Baía de Todos os Santos. Situada entre os municípios de Cachoeira e Governador Mangabeira, a barragem tem 142 metros de altura por 470 de comprimento, tendo sido construída na técnica de enrocamento, aproveitando a disponibilidade de pedras no local, o que, segundo os especialistas, representa uma garantia adicional quanto à segurança. A captação de água para abastecimento humano e outros usos é feita por tomada d’água diretamente no lago e a vazão do rio a partir da barragem obedece a um hidrograma associado ao nível de armazenamento do lago, capaz de acumular quase 4 bilhões de m3 de água. O hidrograma obedece a limites que são determinados pelos outros usos rio abaixo, especialmente a pesca artesanal. Com a cota atual de período seco

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