Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 27 (113,82 metros no dia 17/10), o reservatório libera 40 m3/s e quando ultrapassa 114,50 metros até a cota máxima de 120 metros no período úmido, a vazão sobe para 160 m3/s, quando a usina opera na sua capacidade máxima. Em estado de restrição hídrica, quando o nível do reservatório cai abaixo de 112,5 metros, a vazão desce para 3 m3/s e a usina gera por apenas 11/ 2 a duas horas por dia. E com o nível entre 112,50 e 113,50 metros a vazão sobe para 12 m3/s. Lima explica que a proximidade com o mar acaba gerando um arranjo natural para o problema dos pescadores nos períodos de vazão mais baixa. Segundo ele, nessa conjuntura, a chamada cunha salina decorrente da entrada da maré rio adentro se acentua, trazendo com ela os peixes de água salgada que substituem momentaneamente os de água doce no leque de opções de captura. O tormento das enchentes só não acabou completamente depois da construção da barragem porque em 1989, quatro anos após o início das operações e muito antes da construção da UHE, uma cheia excepcional, com a vazão máxima foi quase dois mil m3/s maior do que a de 1960, obrigou os operadores a abrir completamente as comportas do reservatório. Ajustado o esquema de vazões e com a calha do Paraguaçu sendo capaz de suportar um volume de até 1.500 m3/s sem transbordar, o reservatório vem cumprindo seu papel nos últimos 35 anos. E embora a construção por enrocamento seja considerada uma espécie de certificado de segurança da barragem e ela seja monitorada 24 horas por dia, em julho do ano passado a Votorantim Cimentos, em parceria com as defesas civis dos municípios de Cachoeira, São Félix e Maragogipe, realizou um exercício prático simulado de situação de emergência. Segundo a empresa, o evento, que faz parte das obrigações do Plano de Ação de Emergência (PAE) previsto na legislação de segurança de barragens, contou com a participação de 1.548 moradores e com a atuação de mais de 150 profissionais especializados. “Existia um certo medo de barragem. O treinamento trouxe tranquilidade”, ressaltou Lima. n Enchentes em São Félix pelas águas do rio Paraguaçu nas décadas de 30, 40 e em 1989 Fotos: Arquivo Municipal São Félix
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