e-revista Brasil Energia 489

Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 37 um custo elevado de construção, seriam alternativas viáveis e necessárias para suprir o SIN de flexibilidade e potência, à medida que cresce no país a presença das fontes variáveis. Com base nas projeções dos Planos Decenais de Energia (PDEs) da EPE, calculou-se que as UHRs só precisariam estar disponíveis ao sistema por volta de 2039. Passados cinco anos do início do estudo, muita coisa nova aconteceu. A principal é o crescimento explosivo da presença das fontes eólica e, principalmente, solar na matriz elétrica brasileira. De acordo com dados da EPE, em 2019 a matriz elétrica brasileira era amplamente dominada pela fonte hídrica, com 64,9% do total. A fonte eólica respondia por 8,6% e a solar, por 1%. Agora, em novembro de 2024, segundo a publicação “O Sistema em Números” do ONS, a participação das hídricas caiu para 47,2% (107.965 MW) enquanto a da eólica saltou para 14,1% (32.325 MW) e a da solar centralizada quase multiplicou por sete, chegando a 6,8% (15.466 MW) do total. A ressaltar que na conta da solar não estão incluídos 34.211 MW da micro e minigeração distribuída (MMGD), que sozinha representa 15% da matriz total de 228.607 MW. Sem a MMGD, as participações das hídricas, eólicas e solares centralizadas sobem para, respectivamente, 55,54%, 16,63% e 7,95%, sendo mais adequadas para comparar com os números de 2019 da EPE. No campo do armazenamento, surgiram as baterias, principalmente de lítio, cada vez mais usadas nesta década para cobrir oscilações entre oferta e demanda de energia nos países desenvolvidos, onde a expansão das variáveis antecedeu a brasileira. O caso mais emblemático é o do estado norte-americano da Califórnia, cujas oscilações da oferta x demanda ao longo do dia, decorrentes do fluxo natural da geração solar fotovoltaica, levaram o Caiso, operador independente local, a traçar em 2013 um gráfico celebrizado como a “curva do pato”, pela semelhança com o perfil da ave. Premida pelos constantes apagões, a Califórnia correu para instalar em tempo recorde cerca de 10 GW de baterias nos últimos dez anos. Todo este cenário novo levou o economista Roberto Brandão, coordenador do P&D e pesquisador sênior do Gesel, a antecipar em mais de meia década sua estimativa sobre quando as UHRs precisarão estar disponíveis para o SIN. “A gente poderia pensar em ter reversíveis operando em 2033 ou 2034”, pondera o especialista, já incorporando o tempo necessário para licenciamento e construção de uma hidrelétrica, mesmo no caso de uma obra menos complexa como da UHR, cujo licenciamento tende a ser mais simples que o de uma UHE convencional. O ideal, pelas contas de Brandão, seria que o Brasil já tivesse UHRs leiloadas e contratadas e que elas pudessem entrar no sistema nos próximos seis anos, algo que ele considera praticamente impossível dado o tempo perdido até agora. Não só por isso, mas principalmente porque a expansão rápida da solar já praticamente trouxe a curva do pato californiana para dentro do SIN, o pesquisador do Gesel/UFRJ entende que as baterias terão que chegar bem antes para resol-

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=