e-revista Brasil Energia 489

38 Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 HIDRELÉTRICAS, ÁGUA E SUSTENTABILIDADE ver o problema urgente das oscilações horárias da geração e da carga. Brandão avalia que o tempo de maturação das baterias entre o primeiro leilão e a entrada em operação será de três a, no máximo, quatro anos, considerando que no primeiro momento o licenciamento dê mais trabalho. Tanto que o leilão de baterias que o MME quer fazer em 2025 é no formato A-4 entre a contratação e a operação. Elas serão a linha de frente para minorar o já célebre curtailment das variáveis. Complementares Mas o especialista não vê incompatibilidade entre as duas alternativas destinadas a garantir a confiabilidade do SIN em um contexto de predomínio de fontes variáveis e para o qual as hidrelétricas convencionais não foram dimensionadas. Até porque elas têm sérias restrições de flexibilidade técnicas, associadas aos esforços sobre as máquinas, e socioambientais, relacionadas com as oscilações das vazões a jusante dos reservatórios. Brandão explica que enquanto a bateria vai funcionar para os déficits e superávits horários, carregando no sol da manhã, quando a carga está baixa e a geração solar alta, e injetando no fim da tarde, na hora que os painéis fotovoltaicos começam a perder eficiência, as UHR são para compensação semanal ou até um pouco além, bombeando água para os reservatórios superiores com as sobras de energia das variáveis, especialmente eólica, nos fins de semana para gerar nos dias úteis. Entre as muitas perspectivas que a chegada das UHRs pode trazer está a possibilidade de gerar muita energia usando um mínimo de espaço e a fartura de possibilidades de localizações para essas usinas no Brasil. Em outubro de 2024, foi lançado o livro “Manual de Inventário de Usinas Hidrelétricas Reversíveis”, uma espécie de segundo tempo daquele P&D de 2019 a 2021. Também coordenado pelo Gesel/UFRJ e com as participações de outros atores como a Thymos Energia e a Unicamp, e de vários especialistas, muitos deles vindos do trabalho anterior, o manual foi patrocinado pela filial brasileira da chinesa State Grid, que já era controladora da CPFL no P&D anterior. Na apresentação, a patrocinadora, que é hoje a maior investidora em UHRs do mundo, destaca o papel dos sistemas de armazenamento para “fornecer potência firme em horas de alta demanda, substituir a geração térmica [fundamental na transição energética] de ponta e absorver o excesso de energia durante os períodos de alta produção de geração variável” entre outras virtudes. “Neste contexto, as Usinas Hidrelétricas Reversíveis destacam-se por sua capacidade de viabilizar projetos de grande porte, tanto em termos de potência quanto de energia armazenável. Essas usinas representam a melhor solução para o armazenamento de longa duração, já que podem operar tanto em ciclo diário como também em ciclos semanais, mensais ou sazonais”, continua o trabalho. Os levantamentos feitos durante o estudo mapearam nada menos de que 5.500 localizações possíveis para UHRs na faixa de 1 GW no Brasil.

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