Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 7 Soluções têm que ser desenvolvidas principalmente para as pás, os componentes mais complexos para serem reciclados | POR MARCELO FURTADO | Mesmo que as primeiras demandas importantes para descomissionamento de parques eólicos no Brasil só comecem a surgir de fato em aproximadamente cinco anos – quando as instalações da época do Proinfa chegam ao previsto fim da vida útil, de 20 anos –, o setor eólico já precisa se estruturar para o cenário, caso queira dar um destino ambientalmente adequado aos componentes dos aerogeradores. A opinião é de Bruno Varandas, gerente de contas da Owens Corning, empresa norte-americana fornecedora de materiais compósitos de fibra de vidro, um dos principais insumos que compõem a pá eólica. A pá é o componente da turbina de mais difícil reciclagem, por ter vários materiais agregados. Já os demais componentes dos aerogeradores, com base mais em aço, alumínio ou concreto, são mais fáceis de reaproveitar. Para Varandas, o setor eólico precisa unir os elos da cadeia para procurar desenvolver uma solução a ser compartilhada por todas as empresas que passarão pela necessidade e para evitar o que já está ocorrendo em países com parques eólicos mais antigos, onde milhares de pás estão seguindo para aterros. Na sua opinião, a alternativa com mais potencial, e que também já está sendo empregada em alguns lugares do mundo, nos Estados Unidos e Europa, é a recuperação energética com uso da tecnologia de pirólise, que utiliza reatores térmicos em processo com ausência de oxigênio para gerar como subprodutos o biochar, óleo e gás de pirólise, todos reaproveitáveis. A vantagem da tecnologia no modo como está sendo aplicada para pás, disse Varandas à Brasil Energia, é que, como resultado do processo, as fibras de vidro podem ainda ser reutilizadas. “Elas perdem um pouco da propriedade mecânica original, mas podem ser usadas em aplicações menos nobres, como, por exemplo, para
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