Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 75 produzem energia a partir da queima do licor negro, segundo levantamento da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen). O licor negro é o segundo combustível mais utilizado pelas plantas de cogeração, correspondendo a 16,3% da capacidade de produção total no mesmo mês. Perde apenas para o bagaço de cana, que responde por 60,5% da cogeração de energia no Brasil. Introduzido na década de 80, o gás natural vem mantendo uma participação estável de 7% na matriz energética do segmento de papel e celulose, sendo empregado principalmente nas caldeiras das fábricas, segundo o estudo da EPE e da EIA. O óleo combustível, que era a principal fonte de energia do segmento nos anos 70, com uma participação de 38% da matriz energética setorial, começou a perder espaço nos anos 80 para o licor negro e a biomassa, principalmente. Em 2020, sua participação havia caído para 2%, com o seu uso restrito a poucas caldeiras. O estudo conjunto da EPE e da AIE revela que boa parte da energia produzida pelas plantas de papel e celulose é exportada para o Sistema Interligado Nacional (SIN). Essa participação tende a crescer, considerando-se que há projetos de novas fábricas em andamento. De acordo com números levantados pela AIE, a bioenergia ampliou sua participação na matriz energética global do setor de papel e celulose em apenas 1 ponto percentual no período de 2010 a 2020, para um patamar de 40% do total. O gás natural aumentou sua participação, no período, de 13% para 18% e o calor, de 6% para 8%. O óleo teve sua participação na matriz energética setorial reduzida no período de 5% para 2%. O carvão, por sua vez, diminui de 16% para 8%. Considerando a evolução para o cenário Net Zero, a agência projeta que em 2030 a matriz energética do setor de papel e celulose poderá exibir uma fatia maior de 45% da bioenergia e o restante atendido por eletricidade do grid (24%), gás natural (15%), calor (8%), carvão (6%), óleo (2%) e 1% de solar. Emissões Segundo a AIE, o setor de celulose e papel respondeu por pouco menos de 2% de todas as emissões da indústria em 2022. Diante de previsões de que a produção total de papel deverá aumentar até 2030, serão necessários maiores esforços para reduzir a intensidade de emissões da produção. A agência afirma que o caminho para isso é a redução do uso dos combustíveis fósseis como fonte de energia ao mesmo tempo em que se acelera a eficiência energética. Entre as alternativas que são consideradas para obter essas melhorias está o incentivo à implantação de bombas de calor industriais e a inovação em tecnologias que reduzem a quantidade de calor necessária para a secagem de celulose e papel.
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