e-revista Brasil Energia 489

Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 77 Há um consenso global de que o consumidor de energia é a figura central da transição energética. Mas pesquisa realizada em todo o planeta pela empresa de consultoria EY aponta que quase dois terços dos consumidores não estão dispostos a arcarem com mais custos da energia elétrica que possam ser impostos pela transição energética. Para falar sobre como o consumidor encara os movimentos e Ações em Transição Energética, a Brasil Energia convidou para esta entrevista o presidente da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, Luis Eduardo Barata, engenheiro eletricista de formação e grande conhecedor das mazelas e soluções propostas para o setor elétrico. Barata foi diretor de Operação e diretor-Geral do ONS, secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, presidiu o Conselho de Administração da CCEE e foi conselheiro do antigo Mercado Atacadista de Energia. Passou também pela Eletrobras, Itaipu Binacional e Furnas e foi consultor do Instituto Clima e Sociedade (iCS). Ele destaca que, no Brasil, a entidade luta para que os custos da descarbonização da economia não sobrecarreguem o consumidor, lembrando que em outros países custos e subsídios necessários para vencer a inércia do modelo vigente são bancados pelos Tesouros. Barata também destacou a necessidade de o Governo Federal e os órgãos reguladores realizarem campanhas permanentes que promovam a eficiência energética, o que contribuiria para a redução do consumo de fontes fósseis na ponta que paga as contas de todo o sistema. Uma pesquisa realizada pela empresa de consultoria EY com 100 mil pessoas em 21 países apontou que 69% dos entrevistados afirmaram não estar dispostos a fazer mais do que já fazem pela causa da transição energética, arcando com mais custos. Se existe um consenso de que será o consumidor quem fará a transição energética, como convencê-lo a exercer esse papel? O que eu acho que pode, de certa forma, mudar esse quadro, é um agravamento da questão climática. Creio que o que vimos no último um ano e meio, dois anos, realmente leva, no primeiro momento, as pessoas que têm mais sensibilidade a perceber o que está acontecendo. Mas, depois, isso vai de roldão. Porque o fato de dizer para as pessoas que a temperatura do planeta subiu 1,5 grau em relação à era pré-industrial não significa nada. Ninguém entende isso ou leva isso a sério. Mas, quando as cidades ficam debaixo d’água, como ocorreu com Porto Alegre e acontece com Valência, as pessoas começam a se sensibilizar. Na contraposição disso tudo, contudo, um maluco negacionista ganha as eleições na maior economia do mundo e diz que vai reverter esse quadro. Mas ele vai aumentar a exploração de petróleo, gás e carvão, em detrimento de tudo isso. Espero que a realidade acabe, de certa for-

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