e-revista Brasil Energia 489

78 Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 AÇÕES EM TRANSIÇÃO ENERGÉTICA ma, se impondo. Só que, se nós percebemos, com antecedência, o que está acontecendo e tomamos medidas mitigantes, fazemos com que a realidade se apresente menos gravosa para as pessoas. Quando não se faz isso e paga-se para ver, aí a coisa se torna muito grave. Como estamos no Brasil em relação ao papel do consumidor na transição energética? No Brasil, nós fizemos uma transição energética naturalmente. Nos últimos dez anos, investimos maciçamente em fontes renováveis. Nós, infelizmente, só não avançamos naquelas renováveis gerenciáveis, que são as hidrelétricas. Mas tivemos avanço nas renováveis intermitentes, que são as eólicas e solares, o que aumentou bastante a participação da energia limpa na nossa matriz. Nós, como representantes dos consumidores, temos a preocupação de que não sejamos, exclusivamente nós, a pagar por isso, diferentemente do que tem acontecido no mundo. No mundo, quando um país toma a decisão de implantar um programa de incentivo à transição energética, isso é feito à custa do seu Tesouro, como é nos Estados Unidos e na Europa. Aqui, as decisões têm sido tomadas no sentido de imputar ao consumidor, que já paga uma conta enorme, mais esse custo. Na Europa, o custo da energia renovável é mais alto, porque a geração está no mar. Então, o custo de energia é mais caro pela implantação. Aqui no Brasil, essas fontes são as mais baratas. Então, naturalmente, isso deveria reduzir o custo. Mas ainda há subsídios, que são desnecessários. O que mostra que o nosso arcabouço está equivocado e precisa ser revisto. É possível conseguir um engajamento dos consumidores, principalmente residenciais, de classes mais baixas, na transição energética sem um incentivo econômico? Na Frente (N.R. Frente Nacional dos Consumidores de Energia), quando surgiu, o mote principal era a questão do custo da energia. A contradição que víamos e temos ainda hoje: um país como o Brasil, que tem todas as condições de ter uma energia extremamente barata, tem uma das mais caras do mundo. Esse foi, eu diria, o nosso mote inicial. Mas, imediatamente, nós caímos na real. Não é suficiente que a energia seja barata. É preciso que ela seja também limpa e sustentável. Então, hoje, eu diria, é o nosso lema. Sem deixar de focar na energia barata... E por que barata? Para permitir que todo brasileiro seja capaz de usar a energia da melhor maneira possível. O consumo per capita brasileiro é baixíssimo, muito abaixo da média mundial. Então é preciso oferecer energia a um valor acessível a todos. E é preciso também que ela seja limpa. Porque, caso contrário, nós vamos contribuir para esse inferno que a gente está vivendo hoje, que são as mudanças climáticas e o aumento dos eventos extremos, como vem acontecendo.n n Leia essa entrevista na íntegra em brasilenergia.com.br/brasilenergia/acoes-em-transicao-energetica/osconsumidores-nao-devem-pagar-o-custo-da-transicao-energetica

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