80 Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 AÇÕES EM TRANSIÇÃO ENERGÉTICA sistemas, o óleo diesel representou, no ano passado, 76% da matriz elétrica. A geração a partir de combustíveis fósseis desses sistemas isolados lança na atmosfera cerca de 2,3 milhões de toneladas de CO2 anualmente, sendo as usinas a óleo diesel responsáveis por 76,5% dessas emissões. O óleo diesel emite quase duas vezes mais gases de efeito estufa (GEE) que uma usina a gás natural em ciclo combinado, por exemplo. Além da poluição, o custo da energia produzida é elevado, sendo rateado entre os consumidores de todo o país por meio da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). Em 2023, essa conta atingiu um total de R$ 11,3 bilhões. Outro fator negativo desses sistemas de geração é o elevado nível de perdas, que pode atingir 80%. Além do impacto ambiental proporcionado por esses sistemas de geração, há ainda efeitos econômicos importantes. As deficiências na oferta de energia na região são apontadas com frequência como fatores limitadores do desenvolvimento de alternativas econômicas que permitam um aproveitamento sustentável das riquezas naturais do bioma. Mapa dos sistemas isolados O Amazonas é o Estado que conta com o maior número de sistemas isolados: são 97, atendendo a 284 mil unidades consumidoras. Roraima hoje é o único estado que não está conectado ao SIN, dependendo principalmente de geração de termelétricas, a maioria delas a diesel. Em Roraima, são 58 sistemas isolados, com 162 mil unidades consumidoras. A capital do estado, Boa Vista, abriga o maior sistema isolado em atividade, contando com a oferta de 58 usinas termelétricas movidas a diesel, gás, biomassa e uma pequena central hidrelétrica. O custo da geração das usinas térmicas locais é estimado em R$ 2 bilhões por ano. O Pará tem 17 localidades atendidas por sistemas isolados, enquanto em Rondônia e no Acre, respectivamente, 13 e 7 comunidades são servidas por esses sistemas. O Amapá possui apenas um sistema isolado. Pará, Rondônia, Acre e Amapá têm, em conjunto, mais de 100 mil unidades consumidoras de energia nesses sistemas. Interconexão ao SIN Para enfrentar o problema, o governo federal lançou, em agosto de 2023, o Programa Energias da Amazônia, que tem como objetivo reduzir em 70% a geração térmica a partir de combustíveis fósseis, evitando o lançamento de 1,5 milhão de toneladas de CO2 à atmosfera. As metas de redução das emissões estão associadas à expectativa de diminuir em até 70% o consumo de óleo diesel em termelétricas na região até 2030. O programa prevê investimentos de R$ 5 bilhões, que serão divididos em três frentes: conversão de térmicas a diesel para o gás natural, conexão de comunidades isoladas mais populosas ao sistema interligado e a instalação de energia solar, com uso de baterias ou sistemas híbridos ainda óleo-solar, em localidades menores e mais isoladas.
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