Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 81 A interconexão de sistemas isolados, usando como eixo central o Linhão de Tucuruí, que permite o escoamento da eletricidade gerada pela hidrelétrica homônima para o Norte do país, é a face mais visível desse programa. A previsão é conectar ao Sistema Interligado Nacional (SIN) 53 localidades atualmente atendidas por sistemas à base de combustíveis fósseis por meio de 37 obras de linhas de transmissão e distribuição. Não foram divulgadas metas para a ampliação da geração a partir do gás natural e da geração fotovoltaica. O Linhão de Tucuruí tem como objetivo interconectar Boa Vista (RR) e Manaus (AM), que já está ligada ao SIN, por uma linha de transmissão de mais de 700 km de extensão. A expectativa é que o projeto esteja concluído em setembro do próximo ano. Os investimentos previstos na interconexão das duas capitais do Norte do país são calculados em R$ 2,6 bilhões. Em agosto do ano passado, o governo anunciou a conexão ao SIN dos municípios de Itacoatiara e Parintins, no Amazonas, e Juruti, no Pará. Somados, representam um contingente de 70 mil unidades consumidoras. Em Parintins, a conexão permitiu o desligamento da maior térmica a óleo diesel da região, em funcionamento há quase 60 anos. Com isso, evitou-se a continuidade de um consumo de diesel calculado em cerca de 45 milhões de litros/ano que lançava à atmosfera 90 mil toneladas de dióxido de carbono. Além da poluição do ar, a poluição sonora da usina e a intermitência da geração de energia no local são alguns dos problemas resolvidos com a conexão. A mesma quantidade de óleo diesel deixou de ser consumida em Itacotiara, evitando-se a emissão de 93 mil toneladas de CO2. No ano passado, a conexão de Itacoatiara, Juruti e Parintins ao SIN contribuiu para uma redução de R$ 1,3 bilhão no montante da CCC, em comparação ao valor registrado em 2022, que foi de R$ 12,9 bilhões. Leilões de energia para o sistema isolado Além da interconexão, a expectativa é que o próximo leilão de energia para o sistema isolado, previsto para o final deste ano, contribua para a substituição de unidades do parque gerador à base de combustíveis fósseis por usinas à base de gás natural e fontes renováveis. O governo introduziu a exigência de uma participação mínima de 20% da energia gerada a partir de fontes renováveis, com ou sem soluções de armazenamento. Além disso, a contribuição para a redução das emissões de CO2 será considerada na classificação da proposta vencedora. Espera-se que, no leilão, serão contratadas energia e potência para 15 sistemas do Amazonas e Acre. Os contratos terão duração de 15 anos, com o suprimento iniciando entre 2027 e 2030. Deverão ser oferecidos três lotes, dois deles para o Amazonas, com 31 e 37,4 MW; e um para o Acre, de 9,9 MW. n
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