Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 83 vel, que reflete melhor os seus atributos voltados para a sustentabilidade. Produzido a partir de óleo de soja ou de outras oleaginosas, o GLR chega ao mercado oferecendo as mesmas características do GLP, isto é, uma composição quase que integral dos hidrocarbonetos propano (C3H8) e butano (C4H10). Isso permite seu consumo sem que seja necessário realizar alterações nos processos dos usuários. Com o GLR, se mantém ainda o potencial de queima superior que o GLP apresenta em relação a outros produtos concorrentes de origem mineral, como o óleo diesel e o gás natural. As vantagens ambientais do energético verde são largamente destacadas. O grande diferencial em relação ao GLP mineral é sua potencial capacidade de alcançar redução de 80% de emissões de gases de efeito estufa na queima. O dado, contudo, necessita ainda de comprovação nos diversos usos, conforme reconhecem os próprios executivos que pesquisam este novo segmento. Independentemente do ganho ambiental, a introdução do GLR no Brasil também pode reduzir a dependência nacional do GLP importado, que hoje atende 25% a 30% da demanda doméstica. Outro benefício será o de descentralizar a oferta ao mercado e sua logística de suprimento, com maior número de players em relação aos segmentos de produção e comercialização de GLP, hoje ainda bastante concentrados. Mercado gigantesco O mercado a ser desbravado pelo GLR é enorme. De acordo com os números do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), o energético está presente em quase todos os municípios brasileiros, com grande destaque para o atendimento ao consumidor residencial. O Sindigás afirma, citando dados do IBGE, que 91% das residências utilizam o energético, respondendo por vendas de quase 33 milhões de botijões de 13 quilos por mês. O consumo industrial, segundo ainda o Sindigás, representou 13,1% do mercado em 2021, último dado disponível. As indústrias usam o GLP em caldeiras, cortes térmicos e fornos industriais, em substituição ao óleo combustível e outros derivados de petróleo. Segmentos como o de cerâmica, vidro e indústria alimentícia recorrem ao energético para obter a queima sem resíduos, indispensável para a qualidade final de seus produtos. A indústria química, por sua vez, utiliza o GLP como matéria-prima para a obtenção de diversos produtos, entre os quais polipropilenos e polietilenos. A EPE prevê que a demanda por GLP em 2024 deverá atingir 7,6 milhões de toneladas – patamar que, se for alcançado, representará um crescimento de 1,9% em relação ao ano anterior. Para o próximo ano, a estatal calcula que a demanda subirá para 7,7 milhões de toneladas, com um aumento de 1% na comparação anual, já apontando efeitos do Programa Gás para Todos. As fontes consultadas consideram que ainda seria pouco precisa qualquer estimativa sobre o potencial de avanço do GLR sob os domínios do GLP. Há uma visão de que, a depender da rota tecnológica de produção do novo energético, não há matéria-prima disponível para atingir produção suficiente para substituir totalmente o GLP.
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