84 Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 AÇÕES EM TRANSIÇÃO ENERGÉTICA Outro obstáculo pode ser o valor com o qual deverá ser negociado o GLR. A expectativa é que o custo deverá, por óbvio, sustentar os investimentos no desenvolvimento da tecnologia e novas plantas, mas há quem considere defensável estabelecer um diferencial pela condição de alternativa sustentável para o GLP. Por isso, em princípio, fontes consultadas acreditam que o produto encontre maior viabilidade no mercado industrial. No mercado residencial, a questão Preço tem grande influência sobre o uso do GLP, que hoje compete com o gás natural canalizado. Assim, espera-se que, para atender o consumidor residencial, o GLR deve ser misturado ao GLP. Movimento das distribuidoras A Copa Energia, uma das principais distribuidoras de GLP, está desenvolvendo parcerias com a Universidade de São Paulo (USP) e com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para estudar rotas de produção do GLR e dimensionar sua capacidade potencial de produção. A empresa tem planos para iniciar a produção em escala comercial em 2029, de acordo com o diretor de Estratégia e Novos Negócios, Cleber Hamada. O convênio firmado com a USP prevê estudos relacionados com três rotas de desenvolvimento de tecnologias para a produção de GLR. Uma delas envolve o processo de produção do HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), alternativa renovável para o diesel fóssil, ou da produção de SAF, sigla em inglês para Combustível Sustentável de Aviação. Ou seja, o GLR é um subproduto da produção dos dois combustíveis renováveis. Ainda não há no Brasil, no entanto, quem produza HVO ou SAF em larga escala. As pesquisas indicam que se pode obter, por essa via, produtividade de 5% em massa, ou seja, 5 litros de GLR para cada 100 litros de diesel HVO produzidos. Apesar da baixa produtividade, essa rota vem sendo adotada por várias plantas nos Estados Unidos e na Europa. Uma segunda rota em estudos envolve a produção do glicerol, tendo também o óleo de soja como matéria-prima. A Copa Energia considera essa rota a mais promissora devido à produtividade em massa de 50%. Outra vantagem é o fato de o glicerol ser uma matéria-prima com baixa demanda, o que pode influir para um baixo custo de suprimento. A terceira rota envolve a gaseificação de qualquer resíduo sólido agrícola. Do gás obtido é possível extrair o GLR. Como ponto favorável, está a aptidão do país para a produção agrícola, que proCopa Energia e USP estudam rota tecnológica no Hub de Energias Renováveis, inaugurado em 2023 Foto: Leo Orestes
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