90 Brasil Energia, nº 489, 29 de novembro de 2024 Continuação Rubem Cesar Souza Geração de energia elétrica com etanol de mandioca No período de 2010 à 2013 com recursos da empresa Manaus Energia S/A no âmbito do Programa de P&D regulado pela Aneel, foi desenvolvido o projeto Geração de Energia Elétrica com Etanol da Mandioca na Amazônia. O projeto possuía duas frentes de pesquisa. A primeira consistia na produção de bioetanol de mandioca a partir de cultivares desenvolvidas pela Embrapa e adequada para ecossistemas amazônicos. Das centenas de cultivares disponíveis foram selecionadas 5 (cinco) que apresentavam indicadores de maior produtividade de raízes e teor de amido. Foi realizada a correção da acidez do solo e foram adotados os tratos culturais recomendados, obtendo-se a produtividade de 25 ton/ha. Na época, 2011, a produtividade média era em torno de 10 ton/ha na Amazônia e, na Indonésia à época o maior produtor mundial era de 20,3 ton/ha. Convém aqui trazer à baila a pergunta recorrente; o uso energético não concorrerá com o uso alimentício da mandioca? Primeiro é importante entender que há várias cultivares de mandioca. Adotando o linguajar regional pode-se dividi-las em dois grupos, o da mandioca mansa (com baixo teor de ácido cianídrico) e a mandioca brava (com alto teor de ácido cianídrico). A mansa é cozida e consumida diretamente sem a necessidade de nenhum outro processamento. A brava é usada para produção de farinha e outros produtos, carecendo da retirada do ácido cianídrico, sendo esta a adequada para produção de bioetanol. Uma família rural típica da Amazônia cultiva em torno de 0,5 a 1 ha. Tomando uma produtividade típica de grupo familiar, esse representa em torno de 2 a 4 toneladas de raiz. O processamento para produção de farinha, destinação típica da região, é feita em fornos a lenha rudimentares e que expõe o produtor a um trabalho insalubre. Se for considerado que a produção fosse totalmente vendida em natural, segundo especialistas da Embrapa, um grupo familiar seria capaz de cultivar em torno de 8 ha. Logo, é possível manter a produção de alimento e ainda assim dispor de uma elevada produção para fins energéticos caso haja comprador da mandioca. Além do que, a produção de mandioca pode ser feita de forma consorciada com outras culturas como o feijão-caupi. Portanto, políticas públicas bem construídas podem assegurar que não haja a referida competição. No tocante a produção de bioetanol, montou-se uma biorrefinaria e foi possível atingir a produtividade de 150 l/ton de mandioca, respeitando as especificações da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis – ANP. Na outra frente da pesquisa, fez-se a ampliação de uma termelétrica a diesel, sendo instalado dois grupos geradores de 250 kW desenvolvidos pela empresa Vale Soluções em Energia para suprir eletricamente a comunidade de Lindóia, no município de Itacoatiara/AM, com 1.107 unidades consumidoras. No dia 5 de setembro de 2013, se deu a operação da usina somente com as máquinas alimentadas por etanol, sendo esta a primeira vez que esse feito foi realizado em nível mundial. O custo do litro do bioetanol ficou em torno de R$ 3,325, sendo que 30% se devia a impostos, predominantemente o ICMS, que é estadual. Medidas plausíveis foram sugeridas na esfera de competência do governo estadual e municipal e, sendo estas adotadas, o preço do litro cairia para R$ 2,48, inferior ao preço médio praticado à época no município de Itacoatiara (R$ 2,78/litro). O custo de geração sem considerar a sub-rogação da Conta de Consumo de Combustível – CCC ficou em R$ 2.182/MWh. Vale salientar que nessa época a concessionária de energia elétrica havia instalado miniusinas fotovoltaicas com um custo de geração de R$ 3.302/MWh. n Leia o artigo na íntegra em /brasilenergia.com.br/energia/importancia-do-bioetanol-da-mandioca-para-a-amazonia
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