e-revista Brasil Energia 491

28 Brasil Energia, nº 491, 25 de fevereiro de 2025 Claudia Bethlem é bióloga com 20 anos de experiência em biodiversidade e sustentabilidade. É consultora na Descarbonize e In Carbon. Escreve na Brasil Energia a cada dois meses. Claudia Bethlem Chegou aquela época do ano em que empresas correm para compilar inventários de emissões, relatórios de sustentabilidade, atendimento ao CDP e outros índices e inúmeros indicadores. É possível que a enorme quantidade de relatórios exigidos comprometa a etapa mais essencial do processo: a análise dos dados e a identificação de tendências e oportunidades. Sem um olhar atento para os resultados e seus desdobramentos estratégicos, corre-se o risco de transformar a elaboração de relatórios em um processo meramente burocrático, sem impacto real sobre a gestão e o direcionamento das empresas para uma economia de baixo carbono. Para evitar que a sobrecarga operacional prejudique a qualidade e a estratégia dos relatos, é fundamental adotar uma abordagem de dentro para fora, baseada na dupla materialidade. Isso significa alinhar os objetivos da empresa com impactos reais e positivos, garantindo que os relatórios sejam construídos com base em dados robustos, coletados diretamente no campo. O foco deve estar na coerência entre as métricas de desempenho operacional e as metas ambientais da organização, transformando as informações levantadas em insights para a tomada de decisão e melhoria contínua. A governança, o “G” do ESG, desempenha um papel essencial nesse processo. Ela assegura que a comunicação entre operações e Relações com Investidores (RI) seja de mão dupla, garantindo que os relatórios não sejam apenas um reflexo de demandas externas, mas, sim, um instrumento estratégico alinhado à realidade da empresa. A implementação de processos internos bem estruturados e a definição clara de responsabilidades dentro da organização são passos fundamentais para fortalecer essa governança e garantir que os dados reportados sejam precisos, consistentes e transparentes. Uma das soluções mais eficazes para otimizar essa gestão é a incorporação de tecnologia na coleta e análise de dados, permitindo a automação de relatórios. Sistemas inteligentes podem reduzir o tempo gasto na consolidação de informações, garantindo maior precisão e eficiência. Empresas pioneiras já utilizam plataformas baseadas em Inteligência Artificial para identificar padrões, prever riscos e sugerir ajustes em tempo real, otimizando a gestão de carbono e outros indicadores ambientais. Essas tecnologias permitem a integração de dados de diferentes setores e cadeias produtivas, gerando insights que ajudam as organizações a aprimorar sua performance e fortalecer sua resiliência frente aos desafios climáticos e regulatórios. Ademais, novas ferramentas tecnológicas estão revolucionando a forma como os relatórios de sustentabilidade são elaborados e divulgados. Soluções baseadas em blockchain, por exemplo, oferecem maior transparência e segurança na rastreabilidade das informações, garantindo a confiabilidade dos dados reportados e facilitando a auditoria por partes interessadas. Paralelamente, plataformas interativas e dashboards em tempo real permitem que empresas acompanhem seus indicadores de sustentabilidade de forma dinâmica, tornando a gestão ambiental mais proativa e menos reativa. No entanto, não basta apenas digitalizar os processos de relato. Para que a tecnologia agregue valor à estratégia empresarial, é essencial que haja capacitação das equipes envolvidas e um comprometimento com a melhoria contínua. O Quebra-Cabeças da Sustentabilidade Continue lendo esse artigo em: petroleoegas/o-quebra-cabecas-dasustentabilidade

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