8 Brasil Energia, nº 491, 25 de fevereiro de 2025 entrevista Clécio Luís Vilhena Vieira mistas. O valor é uma fortuna para um estado que possui PIB anual de R$ 23,6 bilhões, o segundo menor do Brasil, atrás apenas de Roraima (R$ 21 bilhões). Ou seja, se tudo der certo para a Petrobras, o Amapá pode receber, em um mês, quase metade de toda riqueza que costuma acumular em um ano. Com o dinheiro em mãos, o governador espera reverter marcas de extrema pobreza do estado. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), de 2020, revelam que 77% da população amapaense não têm acesso ao sistema de rede de água e 93,1% das residências não possuem coleta de esgoto. Após mudanças na concessão do serviço, alguns indicadores melhoraram desde então. Mas o cenário ainda preocupa. Com 733,7 mil habitantes e 142,5 milhões de km2 de território, o estado possui Indicador de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,688, de nível médio, inferior ao do Brasil (0,754). “Temos todo direito de ter uma nova matriz econômica, porque somos o estado que mais preservou sua floresta, seus povos, sua cultura e ficou na pobreza. A gente passa uma mensagem muito ruim para o mundo”, afirmou Clécio Luís (Solidariedade). O Amapá é líder nacional em preservação florestal. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) não registrou qualquer caso de retirada irregular de árvores no estado, em 2024. Na contramão do que aconteceu na região Norte Fluminense, que ficou conhecida por esbanjar o dinheiro do petróleo e penar com o amadurecimento da Bacia de Campos, o governador quer usar o dinheiro dos royalties da Margem Equatorial para fomentar novas frentes de arrecadação para quando as reservas se esgotarem, inclusive com investimento em energias renováveis, como geração eólica. “Quanto mais desenvolvermos em padrões éticos, vamos poder preservar mais. De barriga vazia, ninguém toma conta nem de si, muito menos de uma floresta tão imponente quanto a nossa”, disse o governador à Brasil Energia. Veja abaixo os principais trechos da entrevista. Qual a sua expectativa para o licenciamento e atividade da Petrobras na Foz do Amazonas? Acredita que a licença vai sair em março como esperado pela empresa? A expectativa é a melhor possível porque estou ouvindo de A a Z que vai sair a licença, do presidente Lula à presidente da Petrobras, com quem tenho falado constantemente ao telefone. Fui ao Rio de Janeiro conversar com ela também. Esperamos que saia até março. Mas, essa licença já poderia ter sido expedida, porque todas as exigências do Ibama já foram cumpridas. Os debates também foram superados. Restou a construção do hospital de fauna (Centro de Reabilitação e Despetrolização de Fauna de Oiapoque) pela Petrobras. De todo o relatório do Ibama (em resposta ao pedido de licenciamento da empresa), a exigência de instalação desse hospital foi o único com a qual concordei. O Ibama poderia ter expedido a licença com a condicionante do hospital. A obra deve estar hoje (20/1) 70% pronta.
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