10 Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 entrevista Marcos Madureira mente é necessária e quando seu preço também é mais alto. E a separação do lastro e energia, como a Distribuição vê? A precisão na previsão tanto da geração quanto do consumo de energia é essencial para estimular práticas mais eficientes e tecnológicas, alinhando o setor às necessidades do sistema elétrico e do consumidor. Um ponto fundamental é a separação clara entre a operação da infraestrutura elétrica (fio) e a comercialização de energia, que não é a atividade principal da distribuidora, embora seja relevante para o consumidor do mercado regulado. Como essa modernização deveria ser aplicada? O Brasil apresenta grande diversidade socioeconômica, o que exige modelos adaptados às diferentes regiões. As mais maduras, como parte do Sudeste e Sul, estão prontas para implantar modelos tarifários mais sofisticados. Já as regiões em desenvolvimento, como partes do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, ainda precisam expandir a infraestrutura para atender novas cargas. Por isso, é essencial respeitar essas diferenças e adotar abordagens regulatórias flexíveis. Deve haver a possibilidade de diferentes modelos regulatórios conforme a maturidade do mercado local. A implantação dos modelos deve se dar por meio de acordo entre o poder concedente e as concessionárias. E o futuro, como o senhor enxerga o futuro da Distribuição? A distribuição elétrica é hoje o segmento de maior transformação no setor elétrico. O papel da distribuidora está mudando - de fornecedora de energia para gerenciadora de recursos energéticos distribuídos. Esses recursos incluem a geração distribuída (GD), sistemas de armazenamento de energia e o de veículos elétricos, entre outros. O desafio da distribuidora não é mais possuir esses ativos, mas integrá-los eficientemente ao sistema, otimizando sua operação. Hoje, por exemplo, já existe mais de 37 GW de geração distribuída implantados no Brasil, o que representa uma parcela significativa da matriz elétrica. O Operador Nacional do Sistema (ONS), entretanto, não consegue gerir diretamente essa geração descentralizada. Diante dessa nova realidade, a distribuidora assume um papel cada vez mais essencial. Projetos-piloto já estão em andamento no país, com distribuidoras estudando o uso de armazenamento aliado à geração distribuída, a fim de entender e prever melhor os padrões de injeção de energia na rede. O modelo internacional de DSO funcionará no Brasil? É um modelo onde a distribuidora atua de forma mais ativa e coordenada na gestão dos fluxos energéticos. Este é o caminho que o Brasil também deverá seguir. As distribuidoras deixarão de ser apenas “fio” e passarão a ser atores centrais na gestão do sistema. Com o avanço de tecnologias e a descentralização da geração, esse papel se torna indispensável. São iniciativas discutidas e testadas no país e a tendência é que se tornem realidade em um futuro próximo. n
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=