Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 101 nal de 10% a 15% com outras ações”, diz Alan Henn, CEO da Voltera, comercializadora de São Paulo. Ele cita como exemplos de “outras ações” os ganhos adicionais com ajustes no contrato com a distribuidora ou em qualquer outra operação que envolva energia nas empresas. Para Henn, a desinformação entre os consumidores do varejo - a maioria dos que estão migrando para o mercado livre - é significativa. Como são, em grande parte, pequenos negócios, muitos deles não têm a cultura de gestão de energia. Essa realidade abre uma nova oportunidade para comercializadoras e startups. No caso da Voltera, o processo começa antes mesmo da oficialização do contrato de migração, uma vez que as distribuidoras têm um prazo de 180 dias para realizar a transição. Durante o período, a comercializadora começa a analisar o contrato com a concessionária e sugere os ajustes necessários. A jornada de otimização, realizada antes da migração, começa com a avaliação da demanda contratada em comparação ao perfil de consumo. Se a demanda contratada for menor que a real, a distribuidora cobra uma multa pesada, cerca de três vezes a tarifa aplicada sobre o valor excedente. O inverso também acontece: se o cliente consome menos do que contratou, mesmo assim a distribuidora cobra pelo volume acordado. A relação distribuidora-cliente também tem regras quando o consumidor solicita alteração no nível de sua demanda. Se ele quer alterar para mais, a concessionária tem um prazo entre 30 e 40 dias para atendê-lo. Já se o pedido for para alterar para menos, o prazo é de 90 dias. Embora seja um processo simples de mudança cadastral, o processo foge ao conhecimento da maioria dos clientes. Outro ajuste comum é o fator de potência exigido pelas distribuidoras. Em muitos casos, a carga dos clientes não atende às especificações da concessionária, o que resulta em multas. “Essa penalidade é cara, com valor regulamentado, mas pode ser eliminada com a adequação do consumo ou da estrutura dos equipamentos do cliente ao fator de potência exigido pela distribuidora”, explica Henn. Isso pode ser feito com a instalação de um banco de capacitores na entrada do transformador, um investimento relativamente baixo que previne o consumidor das multas. Outras medidas simples, como antecipar a parada das operações antes do horário de pico, também podem gerar economia. Diferentemente dos consumidores de baixa tensão, os de média e alta tensão são cobrados por tarifas horo-sazonais, que variam conforme a hora do dia e, às vezes, a estação do ano. A desinformação sobre esses aspectos é comum entre as empresas em processo de migração e, segundo o executivo da Voltera, três em cada quatro delas precisam de algum tipo de ajuste. Mesmo no caso de companhias de porte médio, as correções podem gerar ganhos significativos, como aconteceu com a Kalunga, que obteve redução de R$ 200 mil por ano graças às otimizações. Se por um lado empresas menores não tem a cultura dos negócios de energia, por outro o contato direto com
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