102 Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 comercialização o empreendedor é facilitado com uma comunicação mais simplificada e soluções amigáveis, como dashboards com os dados de consumo de energia, acessíveis por aplicativos de celular. Esse monitoramento pode identificar incongruências, como o consumo atípico de uma padaria às três da manhã. Como as comercializadoras têm acesso aos dados consolidados dos seus clientes no mercado livre, através dos medidores inteligentes ativados pelas distribuidoras, o uso de IA chega para ajudar a gerar mais insights e identificar tendências, como é o caso da Energia das Coisas, energytech fundada por Rodrigo Lagreca, que está refinando seu modelo com base em dados históricos coletados em vários clientes. No seu modelo atual de negócio, a startup analisa informações de consumidores na busca por identificar usos ociosos, o que vai além da medição padronizada do consumo de energia das contas. Para isso, é necessário setorizar o consumo e utilizar sensores em equipamentos estratégicos, como as áreas de armazenamento em frigoríficos. Assim como a Voltera, a Energia das Coisas busca comunicar-se com os responsáveis pelas contas de energia, mas que não são especialistas no assunto. Portanto, a apresentação dos dados deve ser simples e acessível. “Se a informação for excessivamente técnica, elas só serão compreendidas por uma minoria de gestores. Na maioria das vezes, quem analisa os dados são gerentes de hotel, administradores financeiros e outros profissionais. A minoria é de engenheiros”, lembra o CEO. Lagreca adianta que a análise da demanda exige o entendimento das características do sistema elétrico do cliente, identificando os setores ou ambientes mais críticos, além da avaliação da disponibilidade dos meios de comunicação que vão transportar os dados captados pelos sensores. Assim como a Voltera, a Energia das Coisas disponibiliza os dados de forma simplificada, acessíveis em dispositivos móveis, como celulares. Na prática, a experiência da empresa mostra que a otimização pode reduzir o consumo de energia em até 40%, sem contar os ganhos com a migração para o mercado livre. Um exemplo disso é o caso de um grande centro de eventos, que apresentava alto consumo de energia durante a madrugada, quando não havia feiras em andamento, para garantir que os seguranças não ficassem no escuro. Quando o cliente da startup é a própria comercializadora e não o usuário final, os dados servem para orientar o consumo responsável e evitar os desperdícios. Pode parecer contraditório, não para Lagreca. Ele acredita que essa função das comercializadoras é um fator de fidelização, de uma nova postura. O ponto de vista é respaldado por Henn, da Voltera: “A distribuidora foca no consumidor, enquanto as comercializadoras estão focadas no cliente”. n Esta matéria é parte integrante da Série Especial “Novos Modelos e Tecnologias em Energia”, produzida pela Brasil Energia com o apoio de
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