24 Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 combustíveis de sua frota internacional até 2030 e tornar as operações globais da companhia neutras em carbono até 2040. A companhia iniciou 2025 avançando em parcerias e soluções de eletrificação em portos nacionais, como Paranaguá e Salvador. RCGI: planta-piloto de metanol verde O Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), afiliado à Universidade de São Paulo (USP), está construindo uma planta-piloto para a produção de metanol verde a partir do CO2 como combustível alternativo ao bunker e diesel marítimo. O projeto está previsto para entrar em fase de testes em agosto. Pesquisadores do RCGI obtiveram bons resultados na conversão de dióxido de carbono (CO2) em metanol utilizando um catalisador feito com óxido de titânio e óxido de rênio. A pesquisa registrou uma conversão de quase 20% do CO2 utilizado no processo em metanol, por meio do processo de hidrogenação: CO2 + 2H2 = CH3OH. O momento da virada é agora Para a Agência Internacional de Energia (AIE), para que esse segmento do transporte consiga atingir o Net Zero em 2050, o momento da virada é agora: a partir desse ano, será preciso reduzir as emissões do segmento, ano a ano, até 2030, de forma a atingir o Cenário de Emissões Líquidas Zero até 2050 (NZE). A AIE considera que, para que se obtenha uma trajetória consistente rumo a esse objetivo, será preciso chegar a 2030 com um nível de emissões inferior em 15% ao registrado em 2022. Há fatores que dificultam a descarbonização, como o fato de os navios contarem com uma idade média de 22,2 anos em 2023. Boa parte da frota mundial encontra-se, portanto, em um ponto em que os navios são velhos demais para passarem por uma reforma e novos demais para o descarte. Outra questão a ser discutida é quem responderá pela transição energética. Libéria, Panamá e Ilhas Marshall, países que emprestam bandeira para quase a metade da frota mundial e respondem por boa parte das emissões, terão de estabelecer diretrizes para obter a descarbonização. Os investimentos em combustíveis alternativos, novas tecnologias de navios e unidades de abastecimento, contudo, devem ser compartilhados entre armadores, portos e companhias de petróleo. A jornada da descarbonização deverá compreender a utilização de combustíveis renováveis, novas tecnologias, políticas de apoio à transição energética e até mesmo o uso da IA, em busca de maior eficiência no transporte marítimo. Há sinais alentadores de mudanças, ainda que nem todos se refiram a fontes limpas: a Unctad, das Nações Unidas, estima que 21% dos navios encomendados já utilizarão alternativas mais limpas, como o GNL, o metanol e misturas de combustíveis verdes. Nos últimos anos, importantes decisões contribuíram para estimular a descarbonização deste segmento: Em 2018, a International Maritime Organization (IMO), agência da ONU especializada na segurança e na redução das emissões do transporte marítimo, apro-
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