38 Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 comercialização de energia. Itens como consumo, impostos e encargos ficam embaralhados no processo. Segundo a consultora, se houver mais transparência sobre encargos e impostos, é possível que haja uma pressão popular, inclusive na forma de voto, pois outros atores, que não somente as distribuidoras (que ficam com entre 20% e 25% do valor da conta) terão seus papéis esclarecidos. Fatura digital O caminho de melhoria também foi apontado: explicações pontuais e práticas. Isso acontece porque os consumidores querem transparência, mas exigem informações simplificadas e fáceis de acessar. Detalhe: os clientes de alta renda e os de pessoa jurídica são os que se mostram mais interessados. A transparência também pode viabilizar a aplicação da justiça tarifária, a qual estipula que quem desfruta de redes com melhores condições operacionais deve pagar mais por isso. Um estudo da FGV Ceri, por exemplo, mostrou que a vulnerabilidade de áreas mais precárias é uma realidade. Outro dado interessante do levantamento da Innovare é que, apesar de os meios de comunicação tradicionais serem os canais preferenciais de informação, eles estão concentrados especialmente entre os consumidores mais velhos e os da área rural. Os meios digitais, como WhattsApp, aplicativos e e-mails personalizados ganham espaço. Também como era de se esperar, são os canais preferenciais entre as pessoas jurídicas. Outro aspecto da digitalização é o uso de faturas digitais. Entre as empresas usuárias de baixa tensão e cativas no mercado de energia, a transição para esse modelo é mais aceita. Ângela lembra que as distribuidoras são bastante beneficiadas com a redução de custos, mas lembra que o processo de adesão é opt-in: o cliente deve optar pela opção, uma vez que a conta impressa é a norma. Apesar de ser considerada mais segura, a fatura digital sofre ainda da desconfiança dos golpes. E mais: a familiaridade com o papel é maior entre os usuários de menor renda e aqueles da área rural. O levantamento destaca ainda que é importante incentivar a comunicação na modernização tarifária, pois os consumidores não estão acostumados a ver a energia como multiproduto. Se isso for feito corretamente, o setor de energia poderá se alinhar a outros segmentos como telefonia e internet, onde as dinâmicas tarifárias são mais conhecidas. n Esta matéria é parte integrante da Série Especial “Novos Modelos e Tecnologias em Energia”, produzida pela Brasil Energia com o apoio de Quem é fonte nesta matéria ÂNGELA GOMES, da PSR RICARDO BRANDÃO, diretor de Regulação da Abradee
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=