e-revista Brasil Energia 493

44 Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 entrevista Xisto Vieira Filho O senhor falou sobre o estudo da Thymos e nele tem uma indicação de necessidade de mais 16 GW de termelétricas. Atualmente, a matriz está com 48 GW de termelétricas de todas as fontes. Qual foi o critério do estudo? Esse trabalho da Thymos fala em 16 GW até 2028. Agora com o leilão até 2030 nossa estimativa passa para 23 mil MW. O CNPE – Comitê Nacional de Política Energética – aprovou um critério de confiabilidade para o sistema nacional que diz que a probabilidade de perda de carga, a sigla é LOLP (loss volume probability), tem que ser menor ou igual a 5% e a profundidade desse corte tem que ser menor do que 5%. Além disso, até 2030 vamos ter cerca de 15 mil MW de térmicas terminando contrato. Considerando confiabilidade e fim de contratos, a Thymos calculou a necessidade até 2030 de 23 GW. Esses 15 GW que estão terminando eu espero que volte. Então, seriam só 8 GW. E de todas as fontes? Ou são fontes específicas dentro desse mix? São fontes que o operador ordenou, ele liga. Porque além da confiabilidade, agora com essas intermitências, o pessoal do ONS quer também a flexibilidade. É a partida rápida, é poder ligar e desligar sempre que necessário. Vai ser mais caro, mas esse é o preço que a gente vai pagar pelas intermitências. Por exemplo, todo mundo conhece a agora famosa curva do pato. Tem aquela lombada que tem que subir rapidamente quando o sol para de brilhar. Essa rampa para atingir novamente o pico da demanda sem a solar está chegando a 40 mil MW. Hoje as hidrelétricas são os principais supridores. E ainda não se partiu com muita térmica porque nesses períodos tem muita água e a hidrelétrica tem máquina síncrona também, que segura a demanda. É um verdadeiro absurdo não liberar mais usinas hidrelétricas com reservatório. São as melhores usinas do sistema! Como o senhor avalia a confiabilidade do sistema elétrico brasileiro hoje? Todo mundo se lembra do dia 15 de agosto de 2023. Vou explicar a questão da instabilidade no sistema para chegar ao problema ocorrido. Existem dois problemas de instabilidade principais. Um é instabilidade de frequência angular, quando o sistema começa a balançar e pode desligar. Essa instabilidade é curada com inércia. Existe outro tipo de instabilidade, e esse é diabólico, é mais mortal. É a instabilidade de tensão, que tem a ver com a robustez do sistema, com a capacidade de curto-circuito. Dá um problema de tensão em determinadas barras do sistema e eu não tenho potência reativa suficiente para manter a tensão naquelas barras. As eólicas e solares geram pouca potência reativa e o reativo não se transmite à distância. Então, quando se tem barramentos isolados, longe de geração, toma cuidado porque é um convite à instabilidade de tensão. E foi o que aconteceu no dia 15 de agosto de 2023. Nesse dia, o sistema Nordeste estava operando normalmente, com um valor extremamente elevado de renováveis. Aí tivemos a abertura de uma linha de transmissão sem defeito, coisa que acontece a toda

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