Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 61 Presente nos cartões postais das praias brasileiras, o coco verde está atraindo as atenções de empresas e cientistas que buscam soluções para viabilizar a transição energética. Laboratórios de universidades levam adiante estudos visando transformar a casca do coco verde em alternativas sustentáveis para a substituição de combustíveis fósseis, atendendo à demanda de empresas interessas em obter a descarbonização de seus processos. O coco verde não é uma escolha aleatória entre tantas outras oriundas da biomassa. As soluções já desenvolvidas ou em estudo também têm, em comum, dar uma destinação correta aos resíduos do seu consumo, materiais de difícil decomposição que sobrecarregam aterros sanitários e lixões que, infelizmente, ainda existem milhões no país. Entre as pesquisas em andamento, estão os estudos realizados pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), por meio de memorando de entendimento firmado com a usina termelétrica Energia Pecém, visando a produção de carvão híbrido, ou biocarvão produzido a partir da biomassa do coco. Outra iniciativa é a tecnologia desenvolvida pelo Núcleo de Estudos em Sistemas Coloidais (Nuesc), do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP), de Aracaju, vinculado ao Grupo Tiradentes, que permite transformar a biomassa do coco em um bio-óleo. Com características energéticas semelhantes à do petróleo, esse bio-óleo pode ser utilizado como base para fabricar diferentes biocombustíveis. Entre as iniciativas mais antigas está, ainda, a tecnologia, desenvolvida pelo Laboratório de Biotecnologia Aplicada ao Agronegócio da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que transforma a casca do coco verde em etanol de segunda geração. De acordo com estudo realizado pela Embrapa Tabuleiros Costeiros, o Brasil produz mais de 2 milhões de toneladas de frutos de coco anualmente. As cascas do fruto representam cerca de 80% do seu peso bruto total, resultando, portanto, em um volume considerável de resíduos. Já existem diferentes destinações para a casca de coco, como fabricação de Cascas de coco descartadas em Aracaju (SE): tecnologia desenvolvida pelo ITP permite transformar a biomassa do coco em um bio-óleo Foto: Divulgação
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