64 Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 transição energética a limpeza pública. “A conversão da biomassa do coco em bioóleo, além de oferecer uma alternativa sustentável para os combustíveis fósseis, gera uma solução para um passivo ambiental”, diz Dariva. No processo desenvolvido pelo Nuesc, um quilo de coco é transformado em meio litro de bioóleo. O processo envolve, inicialmente, uma etapa de secagem e trituração da fibra do coco. Esse material é submetido à pirólise, que converte o material em bioóleo, biocarvão e gases combustíveis. Depois disso, o bioóleo pode ser refinado para uso em motores e geradores, enquanto o biocarvão pode ser utilizado como fonte de energia ou para melhorar a qualidade do solo. Etanol de casca de coco Nas visitas realizadas a envasadoras de água de coco, com o objetivo de desenvolver uma solução para a rápida deterioração do produto, os pesquisadores do Laboratório de Biotecnologia Aplicada ao Agronegócio da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) se depararam com montanhas de cascas. As empresas queimavam, sem grande eficiência, parte dos resíduos para obtenção de calor, mas a maior parte do material acaba sendo direcionada a aterros, agravando o passivo ambiental dessas localidades. A partir dessa constatação, nasceu, há cerca de dez anos, o projeto de desenvolvimento de uma tecnologia para a produção de etanol de segunda geração a partir da casca do coco verde. Para a produção do bioetanol, foram utilizadas enzimas que aceleram as reações químicas, promovendo a degradação da celulose presente nas células vegetais. Segundo o professor Alberto Fernandes, um dos coordenadores do projeto, desde então essa tecnologia vem sendo aprimorada, até atingir o domínio total, do ponto de vista de bancada de laboratório. Em 2021, foi registrada a patente da tecnologia no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). “Estamos diante do desafio de viabilizar o uso dessa tecnologia para a efetiva produção do etanol elaborado a partir da casca do coco”, diz ele. Fernandes destaca que não há como o etanol de casca de coco se tornar competitivo em relação ao etano da cana de açúcar, que já conta com décadas de desenvolvimento tanto da produção como da estrutura de logística que permite sua distribuição em todo o território brasileiro. Ele considera, no entanto, que o projeto possa se tornar interessante para uma empresa que trabalhe na cadeia econômica do coco e que busque obter os benefícios intangíveis de se ajustar à agenda ESG. Outra possibilidade seria prefeituras de municípios em que há grande oferta do coco montarem miniusinas e utilizarem o etanol da casca do coco para atender à frota municipal de veículos. n Esta matéria é parte integrante da Série Especial “Ações em Transição Energética”, produzida pela Brasil Energia com o apoio de Quem é fonte nesta matéria CARLOS BALDI, presidente da Energia Pecém CLÁUDIO DARIVA, coordenador do Nuesc
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