Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 63 carvão mineral no blend híbrido. A definição da composição ideal, capaz de maximizar a redução de emissões sem comprometer o desempenho energético nas caldeiras da UTE, será um dos principais resultados esperados ao final da pesquisa desenvolvida em parceria com a Uece. As pesquisas deverão ter uma duração de 24 meses, compreendendo 12 etapas, que vão da análise da viabilidade técnica, econômica e ambiental até os testes com a tecnologia nas instalações da usina. Segundo Baldi, “a expectativa é que, ainda em 2025, sejam obtidos os primeiros resultados da produção e caracterização do carvão híbrido. Esses dados iniciais serão fundamentais para calibrar os experimentos e nortear os testes em escala piloto, incluindo a aplicação em ambiente relevante, por exemplo, nas caldeiras da Energia Pecém”. Quanto à oferta de matéria-prima, os volumes iniciais levantados pelos pesquisadores da Uece são altamente promissores. Estudos indicam que são necessários cerca de 8,5 quilos de coco in natura para produzir 1 quilo de biocarvão. A região industrial do Pecém e seu entorno possuem grande disponibilidade de casca de coco verde, gerada pelo comércios, fábricas de água de coco e centros urbanos, afirma Baldi. Já estão sendo mapeadas fontes locais e parcerias para garantir o suprimento contínuo da biomassa, etapa essencial para a viabilidade em larga escala da substituição parcial do carvão mineral na termelétrica. A confirmação da oferta sustentável em larga escala será consolidada até a conclusão da pesquisa, prevista para dezembro de 2026. Por sua vez, o Nuesc desenvolveu uma tecnologia que permite a transformação de resíduos da casca do coco em uma matéria prima (bio-óleo) que serve de base para produzir combustíveis verdes como biogás, gasolina verde, bionafta, diesel verde e SAF, como é conhecido a alternativa sustentável para o querosene de aviação. De acordo com o coordenador do Nuesc, Cláudio Dariva, é possível oferecer a diferentes empresas soluções diversificadas para a transição energética. Em Aracaju, por exemplo, um levantamento realizado pela Diretoria de Operações da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) verificou que são geradas cerca de 190 toneladas de resíduos de coco verde por semana na capital sergipana. A sobrecarga da coleta domiciliar provocada pelos resíduos do coco gera um custo anual de aproximadamente R$ 900 mil para Nuesc desenvolveu uma tecnologia que permite a transformação de resíduos da casca do coco em uma matéria prima (bio-óleo) que serve de base para produzir combustíveis verdes como biogás, gasolina verde, bionafta, diesel verde e SAF Foto: Divulgação
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=