Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 67 Antes visto como uma demanda restrita à área de manutenção, o gerenciamento de ativos está se tornando ferramenta estratégica para a alta gestão nas concessionárias. A tendência foi apontada por três executivos ouvidos pela Brasil Energia. Na Eletrobras, as políticas de gestão de ativos são definidas em comitês envolvendo as várias vice-presidências do grupo. Na Energisa, a alta direção escrutina o operacional para fazer a alocação ótima dos investimentos. E a Neoenergia inaugurou seu centro de monitoramento de ativos em março desse ano, acompanhando um movimento geral. Antônio Varejão de Godoy, VP de Operações e Segurança da Eletrobras, disse que o board da companhia resolveu fazer um investimento maciço em sua infraestrutura após a privatização e para isso acompanha o desempenho de 92 mil ativos, em mais de 3 mil situações diferentes, incluindo os desdobramentos regulatórios. Inteligência Artificial (IA) tem sido aplicada para analisar o grande volume de dados gerados pelos sensores de Internet das Coisas (IoT). A IA, tema recorrente entre os especialistas ouvidos, também é adotada para avaliar o histórico dos ativos. Dessa forma, a qualidade da informação permite que a companhia entenda em menor tempo os padrões de sua infraestrutura, a partir de um volume grande de dados. A visão estratégica e integrada permite que a alta gestão possa avaliar cada ativo isoladamente e direcionar melhor os investimentos de capital (capex) e de operação (opex). Assim como a Neoenergia, a empresa possui um centro de monitoramento de ativos, onde integra a grande massa de informações. A visão de gestão de ativos como estratégica pode ser exemplificada também na decisão de organizar a “frota” de mais de 200 drones, que são usados, entre outras coisas, para o monitoramento das linhas de transmissão, coletando imagens para análise de seus especialistas, com suporte de IA. Entre os resultados desse trabalho, Varejão destaca que nenhuma invasão ao longo das linhas foi registrada em 2024, em função do trabalho preventivo de identificar ocupações ilegais a partir da combinação de fotos de satélite e de drones. O foco em resultados também faz parte da cultura da Energisa. Para Fábio Pestana, gerente de Engenharia e Planejamento da concessionária, “as concessões de energia são gestores de ativos em sua essência. Não é um mundo simples e a operação tem que trazer ganhos para a companhia”. As áreas operacionais continuam falando em “tecniquês” entre si. Mas para falar e convencer a alta gestão sobre suas demandas, o time operacional precisa usar linguagem de negócios, com relatórios sucintos que mostrem o retorno de cada real investido. Ele destaca que a gestão eficiente vai além do que exige a regulação. “E se houver um sensoriamento adequado – e não estamos falando de alta tecnologia - teremos diagnósticos e agregamos eficiência”. Um exemplo é a priorização das intervenções em campo e, mais do que isso, a definição se é necessário o desli-
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=