e-revista Brasil Energia 493

Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 69 Eduardo Tobias Ruiz, especialista em análise de viabilidade econômica de projetos, financiamento, M&A e desenvolvimento de negócios, é sócio-diretor da Watt Capital. Escreve na Brasil Energia a cada quatro meses. Eduardo Tobias Coautor: André Ricardo do Rosário Contani Em 2024 houve R$ 189,5 bilhões em contratações e emissões de dívida de longo prazo para projetos de infraestrutura no Brasil, considerando apenas o BNDES, debêntures incentivadas e o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). Foi um aumento de 52% sobre o ano de 2023, apesar do contínuo aumento nas taxas de juros. Se analisadas exclusivamente as debêntures, o aumento chegou a 106%, um verdadeiro boom. Desse volume, R$ 17,74 bilhões foram para projetos de geração eólica e fotovoltaica centralizada, dos quais R$ 11,67 bilhões (66%) via debêntures incentivadas – volume este sem precedentes. Os projetos eólicos responderam por R$ 7,54 bilhões e os fotovoltaicos centralizados por R$ 10,2 bilhões junto às três principais fontes de crédito de longo prazo em reais. A estagnação dos volumes de crédito de longo prazo para o setor eólico, observada na Figura 2, confirma o prognóstico setorial de desaceleração da expansão. Apesar do volume recorde de emissões de debêntures incentivadas, chama a atenção o fato de o BNDES não ter contratado um único financiamento via Finem ou Fundo Clima em 2024 (BNDES, 2025b) e o Banco do Nordeste (BNB) ter financiado somente R$ 372 milhões com recursos do FNE. No total, o volume de 2024 foi 4,4% inferior a 2023 e a situação segue se agravando pela contínua alta das taxas de juros. O aumento das taxas de juros de longo prazo não só reduz de maneira relevante a competitividade dos projetos em R$/MWh, mas implica em um menor nível de alavancagem quando os projetos são financiados na modalidade project finance. Conforme ilustrado na Figura 3, a parcela fixa da Taxa de Longo Prazo (TLP) alcançou a máxima histórica de 7,78% a.a. (adicional ao IPCA) em abril de 2025 (BNDES, 2025c). Por sua vez, a taxa de venda da Nota do Tesouro Nacional série B (NTN-B), com vencimento em 2035, chegou à máxima de 8,00% a.a. em 30/01/2025, o maior nível desde o ano de 2008 (Tesouro Nacional, 2025)! Se comparado a março de 2024, o spread da NTN-B subiu em torno de 200 bps. A quantidade de projetos que obtiveram pelo menos uma dívida de longo prazo em 2024 caiu consideravelmente. Estima-se que, em 2024, foram 14 projetos versus 22 em 2023. Apesar da menor quantidade, juntos, os projetos somam potência expressiva (3.905 MW). A Tabela 1, a seguir, consolida todos os 14 projetos mapeados. Dos 14 projetos, pelo menos oito obtiveram mais de uma fonte de crédito de longo prazo – em 2024 ou em anos anteriores. Desse total, 11 emitiram debêntures incentivadas em 2024, um também contratou dívida com o BNDES (em 2022), seis contrataram recursos do FNE e pelo menos três contrataram recursos do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) via Banco do Brasil em diferentes anos. Ademais, identificou-se um único projeto – Ventos de São Zacarias – que tomou recursos em dólar junto a um sindicado de bancos comerciais estrangeiros. Esse projeto é um empreendimento conjunto entre Hydro Rein e Macquarie Asset Management (Macquarie, 2024). Continue lendo esse artigo em: energia/o-boom-na-emissao-dasdebentures-incentivadas O boom na emissão das debêntures incentivadas por projetos eólicos

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