72 Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 hidrogênio Com todos os projetos de hidrogênio verde mais adiantados do país, entre eles os da Fortescue e o da Casa dos Ventos, ambos no complexo de Pecém, no Ceará, com pedidos de acesso à rede básica de transmissão negados recentemente pelo ONS, o MME tenta encontrar uma solução para o setor, que começa a se preocupar com a viabilidade dos projetos nos próximos anos. A postura conservadora do operador tem como uma das motivações a garantia da estabilidade e da confiabilidade do sistema. Segundo o presidente do conselho da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde, a ABIHV, Luis Viga, a proposta do governo, de reforçar o sistema no Nordeste em 4 GW até 2032, o que seria feito a partir de estudos e com leilão provável em 2027, pode ser uma solução viável, mas que viria fora do tempo necessário para manter os investimentos no Brasil de vários grandes grupos internacionais donos dos projetos. Dentre eles, a própria australiana Fortescue, dirigida no Brasil pelo executivo. “É ótimo [os 4 GW], o problema é o prazo, 2032. Com muitos projetos programados para tomar a decisão final de investimento em 2026 [caso da Fortescue], eles começariam a produzir em 2029. Então, para conseguir colocar a transmissão em pé para esses projetos nesse ano, o leilão precisaria ser antecipado para 2026”, disse à Brasil Energia. Para ele, se a meta do governo for mesmo 2032, há risco de o Brasil perder projetos, principalmente porque as empresas da área são internacionais ou ligadas a grupos estrangeiros (a Casa dos Ventos tem a francesa TotalEnergies como sócia), que atuam em vários mercados e dependem de alocação de financiamento em várias praças. “Se por acaso isso não acontece (ter acesso à rede no prazo), as empresas vão para o próximo lugar mais fácil ou melhor para fazer hidrogênio”, explica. A Fortescue, por exemplo, tem mais quatro projetos de hidrogênio verde no mundo, na Noruega, Austrália, Estados Unidos e Marrocos. O projeto brasileiro, porém, que demandará investimentos de R$ 20 bilhões e capacidade de eletrólise de 1,2 GW, é considerado prioritário no grupo. Foto: Divulgação
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