e-revista Brasil Energia 493

Brasil Energia, nº 493, 28 de abril de 2025 73 O risco de um investimento inicial como os que estão sendo propostos no Brasil – considerados estruturantes, com grandes capacidades e voltados para exportação – ser deslocado para outro país, explica Viga, é que a criação de infraestrutura e de cadeia produtiva do H2 verde, ainda inexistente, também tende a ser deslocada para essa outra região. “Aí se cria infraestrutura lá e o segundo, terceiro, quarto projeto também vai ser nesse outro local e talvez nunca mais volte para o Brasil”, disse. Evitar corrida do ouro Além da criação de mais transmissão, no prazo considerado viável para os investimentos, a ABIHV também está pedindo mudanças nos processos de pedidos de acesso à rede por consumidores ultra eletrointensivos, o que inclui também os datacenters, o que inclusive está sendo feito via consulta pública da Aneel (23/2024), em fase de análise das contribuições. Para Luis Viga, as mudanças visam evitar uma nova corrida do ouro, como aconteceu com o setor de geração, em que vários “aventureiros” entram na fila de pedido de acesso com projetos de hidrogênio verde de “papel”. “Temos que organizar a fila e ver realmente quem é sério e vai investir”, disse. O pedido da associação é para que exijam garantias bancárias bem altas dos proponentes de pedidos de conexão e que se avalie o grau de maturidade dos projetos, como aquisição de terrenos, suprimento de energia e engenharia realizada. “Hoje o que acontece é que alguém, com um pedaço de papel, um PowerPoint, pode estar em primeiro na fila e garantir a conexão e vai ficar segurando esse negócio na fila e tirando o outro que está com o projeto avançado”, diz. “Se alguém ficar segurando o lugar na fila, a gente deixa de gerar empregos, investimentos e, o principal, a rede não é utilizada. E se isso acontece, quem paga depois a conta, com a rede ociosa, é o consumidor”. Plantas de hidrogênio verde estão programados para ficar no setor 2 da ZPE

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